Amores, eu confesso que vibrei. Michele Andrade decidiu que o Carnaval 2026 não seria apenas sobre música e suor, seria também sobre memória nacional com orçamento de passarela internacional. Em Natal, nesta terça, ela surge com o look “Tetra” e pronto, meu coração verde e amarelo bateu fora do ritmo.
A produção homenageia o tetracampeonato de 1994, aquele momento em que o Brasil voltou a se sentir invencível depois de 24 anos de jejum. Copa nos Estados Unidos, Carlos Alberto Parreira sério na lateral do campo, pênalti cobrado com frieza e uma geração inteira aprendendo que futebol também mora na lembrança. Michele pegou tudo isso e vestiu no palco, sem economia de brilho nem de intenção.
O grande símbolo do figurino é a jaqueta inspirada no modelo original usado pela Seleção em 94, aquela peça que virou item de culto. Recentemente, ela reapareceu nos holofotes quando Lewis Hamilton usou a jaqueta no GP de São Paulo de 2025. Michele entendeu o recado. Aquilo não é roupa, é patrimônio emocional.
E não para por aí. O look “Tetra” é o quinto figurino revelado dentro da turnê “País da Farra”, que mais parece uma novela temática do futebol brasileiro. Já teve homenagem ao sonho nacional, ao primeiro título e ao nascimento do mito Pelé, ao bicampeonato e às mulheres no futebol com “Rainhas em Campo”. Agora, o tetra entra em cena com status de capítulo decisivo.
O investimento me deixou ainda mais animada. Mais de R$ 80 mil aplicados nos figurinos do Carnaval e 60 mil cristais de vidro colocados manualmente. Isso não é figurino improvisado, é couture carnavalesco com método, brilho pensado e uma certa vontade de deixar claro que estética também conta história.
Michele nunca escondeu a paixão pelo futebol. Desde criança, ela carrega essa relação afetiva que agora vira narrativa de palco. “País da Farra” transforma o show em linha do tempo emocional, onde o público canta, dança e relembra momentos que atravessam gerações.
Eu observo e aplaudo. Porque tem artista que troca de look. Michele troca de era, de memória e de arquibancada simbólica. E no Carnaval, minha gente, quem consegue misturar música, moda e futebol desse jeito não está apenas se apresentando. Está marcando gol de placa com chute de cristal.