O icônico Cine Lido está prestes a escrever um novo e ambicioso capítulo na história cultural de Curitiba. Com abertura marcada para julho, o espaço — que recebeu um investimento milionário de R$ 22 milhões — ressurge como uma das casas de shows mais modernas e bem equipadas do Sul do país, pronta para receber até 2,5 mil pessoas. Comandada pela união de forças entre a Planeta Brasil Entretenimento e a SevenX, a casa promete mudar a forma como o público e o mercado nacional enxergam a capital paranaense na rota das grandes turnês.
Para aprofundar os detalhes sobre a arquitetura, a tecnologia e o impacto desse gigante no centro da cidade, conversamos com Gian Zambon, um dos sócios do projeto. Ele revelou os desafios operacionais, a visão de longo prazo e como o novo Lido vai equilibrar a memória afetiva com um padrão premium de entretenimento.


Resgate histórico e a revitalização do centro
Desativado por mais de uma década, o prédio não passará apenas por uma reforma estética, mas servirá como um pilar estratégico para a região central de Curitiba. “Esse projeto entra não só reativando o prédio, mas ancora o projeto de revitalização do próprio centro da cidade, em parceria com a prefeitura”, explica Zambon.
Preservar a alma do cinema clássico era inegociável. “Nós conseguimos manter as características do lugar, aproveitar pontos que ainda eram super favoráveis, como o pé-direito de 18 metros e os três pavimentos que o prédio já tinha”, detalha o empresário, garantindo que as adequações tecnológicas e arquitetônicas respeitam a memória afetiva do local. Do ponto de vista urbano, o impacto é imediato: “É uma transformação, a melhoria da qualidade de vida das pessoas que estão ali ao redor, dos comércios e do centro como um todo.”
A experiência premium: Conforto e visão privilegiada
Em um mercado que exige cada vez mais versatilidade, o Cine Lido foi desenhado para ser ao mesmo tempo imponente e intimista. O público corporativo e os frequentadores de áreas VIPs encontrarão uma estrutura desenhada para a excelência.
“O nosso projeto traz com ele essa questão intimista e do conforto como pilares fundamentais. A gente tem um camarote corporativo nobre, um setor de camarotes no primeiro pavimento, todos com excelente vista ao palco”, pontua Zambon. A democratização da experiência, no entanto, é o grande trunfo arquitetônico da casa: “A grande questão do local é que todas as pessoas têm visão do palco e, ainda que você esteja no lugar mais longe, você ainda está perto do teu artista favorito.”
Facilitador para a indústria nacional
Fora do eixo Rio-São Paulo, produtores de turnês frequentemente esbarram em desafios logísticos. O novo Lido chega para resolver essa dor do mercado com o conceito “plug and play”.
“A estrutura vem para servir toda a indústria, todo o mercado nacional, não só o mercado local”, afirma Zambon. O espaço foi pensado para otimizar o trabalho nos bastidores. “A ideia é que o Cine Lido seja realmente um facilitador para essas produtoras e produtores de fora. Um espaço que está pronto do ponto de vista técnico entrega todos os serviços essenciais, garantindo a mesma qualidade e a mesma experiência para o público, com um tempo curto de montagem.”
O desafio da grande estreia e a visão de futuro
Com as portas prestes a se abrirem, a equipe trabalha no intrincado quebra-cabeça da inauguração. O objetivo é fugir do óbvio e entregar uma noite que converse com o peso do prédio. “O maior desafio (…) é a gente conseguir ter o artista que a gente quer, que traga junto uma bagagem cultural, não só hits, mas que tenha a sinergia do próprio Cine Lido e traga um pedaço da cultura”, confessa o produtor.
A prioridade para a noite de estreia, surpreendentemente, não é a lotação máxima, mas sim a fluidez. “A gente pretende trabalhar talvez com um público reduzido. O maior desafio tem sido achar esse meio-termo entre ficar confortável, ter um grande artista e equalizar todas essas contas. Esses são os pratos que a gente tem equilibrado agora”, revela.
Passada a euforia da abertura, Gian Zambon tem claro o legado que deseja construir a longo prazo para o equipamento cultural: “Nossa visão a longo prazo é ter um espaço onde a gente consiga realmente garantir a experiência pela estrutura que oferece e pela curadoria de eventos. É uma casa que vem para se solidificar, se posicionando como um espaço confortável e premium de grandes espetáculos, de noites memoráveis.”