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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Menina do Balão Mágico, mãe e agora dona de reality: como Ticiane se reinventa na era do streaming

Apresentadora foi anunciada como nome de um reality original do Globoplay, cocriado com sua equipe e previsto para 2026. Depois de quase 20 anos na Record, Ticiane reposiciona a carreira com apoio da Globo, da ViU e de uma imagem familiar muito vendável.

Kátia Flávia

09/03/2026 8h30

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A apresentadora irá assumir o comando de um novo reality na Globo em 2026. (Foto: Reprodução/UOL)

Meu povo, buenos dias , já cedo, tive que sentar para processar essa, porque a menina que passou pela infância televisiva, atravessou casamento midiático, maternidade famosa, programa matinal, quadradinho viral e bastidor de rede concorrente agora virou nome de projeto desenhado sob medida no streaming da Globo. Eu estava praticamente no meu camarote imaginário, mexendo no celular e caçando confusão alheia, quando me aparece Ticiane Pinheiro anunciada como estrela de um reality original do Globoplay. Aí eu pensei, pronto, a boneca entendeu o jogo inteiro.

Ticiane chega a 2026 com uma jogada que tem cheiro de reposicionamento fino, desses que parecem leves na superfície, mas vêm calculadinhos por baixo. Aos 49 anos, ela passa a ocupar um lugar muito mais nobre do que o de simples apresentadora contratada. O novo projeto foi cocriado com a equipe dela, terá a cara dela e nasce dentro da lógica do streaming, onde personalidade, identificação e vida pessoal bem editada viram ativo de plataforma. É um movimento que diz muito. A Globo não está só contratando uma apresentadora. Está empacotando uma figura pública com memória afetiva, apelo familiar, boa circulação comercial e cara de produto multiplataforma.

E eu adoro quando a trajetória vem toda montada em capítulos, porque a de Tici é uma novelinha de longa duração. A história começa lá atrás, com a familiaridade de estúdio herdada de Helô Pinheiro, esse sobrenome que já entra em qualquer ambiente como quem conhece o porteiro, o iluminador e a recepcionista. Ainda menina, Ticiane foi se enfiando nesse universo de câmeras e palco, trabalhou como modelo, atriz mirim e passou pelo entorno infantil da Globo, chegando à fase final do Balão Mágico. Essa imagem de menina sorridente, comportada, bonitinha de TV, daquelas que parecem nascer sabendo onde fica a câmera um, grudou nela por anos.

Na vida adulta, ela foi fazendo a travessia clássica de quem cresceu sob holofote. Passou por atuação, variedades e, nos anos 2000, cravou raiz na Record. Ali, meu amor, ela não foi só enfeite de bancada. Participou de novelas, ganhou cancha de entretenimento, virou repórter, depois apresentadora do Hoje em Dia e ainda acumulou experiência em realities, como Troca de Esposas e versões do Canta Comigo. Esse repertório é importante, porque o reality do Globoplay não cai do céu. Ele chega no colo de alguém que já treinou por muitos anos o timing de palco, a escuta popular e aquela capacidade de sorrir enquanto o estúdio pega fogo emocionalmente.

Só que carreira de celebridade no Brasil nunca anda sozinha. Vem sempre com a vidinha pessoal puxando o bloco. No caso de Ticiane, o casamento com Roberto Justus e o nascimento de Rafaella Justus empurraram a apresentadora para outro tipo de vitrine. Durante muito tempo, ela foi tratada por boa parte do noticiário de celebridades quase como personagem de spin-off afetivo, a ex de um empresário muito midiático e a mãe de uma menina super conhecida pelo público. Eu sempre acho curioso quando a mulher constrói uma trajetória inteira e o povo insiste em resumi-la pela árvore genealógica. Mas Tici soube dançar nessa pista.

Depois, com César Tralli, a imagem dela ganhou outra camada. Aí veio a moldura da família organizada, da mãe atenta, da rotina compartilhada entre gravação, filhas, ponte aérea e casamento com um dos rostos mais associados à credibilidade jornalística da Globo. Isso, na televisão de hoje, vale ouro. Vale para publicidade, vale para posicionamento e vale demais para uma plataforma que quer vender proximidade, reconhecimento e aquela sensação de que o público já conhece aquela pessoa de casa. Ticiane virou um rosto confortável para o mercado, e conforto vende que é uma beleza.

Meus fofoqueiros de elite, teve também a parte deliciosa da transição pública. A participação dela na Batalha do Lip Sync, no Domingão com Huck, serviu como aquela entrada triunfal em festa onde a pessoa chega fingindo que só passou para dar um oi e, quando você vê, já roubou a cena inteira. Ao resgatar o Balão Mágico e repetir o famigerado quadradinho de oito, Ticiane acionou duas máquinas muito poderosas da TV brasileira. A nostalgia e o meme. E quando essas duas trabalham juntas, meu bem, até a poeira do Projac sorri.

Eu não tenho estrutura para a inteligência desse movimento. Porque ali, no palco, ela reapresentou a própria narrativa. Mostrou a criança da TV, a mulher popular, a figura leve, a profissional experiente, a apresentadora que topa rir de si mesma e ainda sabe transformar lembrança antiga em assunto novo. Foi vitrine, teste de aceitação, aquecimento de imagem e cartão de visita para um público que talvez a conhecesse por recortes soltos. A Globo fez esse serviço com luva de veludo.

Logo depois veio o anúncio oficial, com emoção, discurso e mudança para o Rio entrando no pacote. Essa ida definitiva facilita a rotina com Tralli, aproxima a apresentadora da estrutura da emissora e reforça a ideia de nova fase. Tudo muito redondinho. Tudo muito conveniente. Tudo muito televisão brasileira em sua melhor tradição de transformar mudança de CEP em capítulo de reposicionamento de carreira.

E tem um detalhe de bastidor que eu acho particularmente delicioso. Ticiane também passa a ser agenciada pela ViU, o braço da Globo voltado para publicidade e influência. Aí, meus amores, o tabuleiro fica completo. Porque o reality é só uma parte da história. Quando entra ViU na conversa, o mercado ouve outra coisa. Ouve campanha, branded content, publis, presença digital, ação de marca, conteúdo integrado, essa sopa toda que hoje sustenta muita estrela sorridente. Tici vira um pacote com boa memória afetiva, baixa rejeição, vida pessoal organizada e versatilidade comercial. Quer mais o quê? Um laço de cetim em cima?

Eu, sinceramente, acho essa guinada um caso clássico de celebridade que entendeu que, na era do streaming, biografia também é formato. A infância na TV virou capital simbólico. O passado na Record virou experiência prática. A exposição da maternidade virou elo com o público. O casamento com um nome forte do jornalismo ajuda a reforçar respeitabilidade. E a presença digital amarra esse conjunto todo com cara de produto contemporâneo. Isso aqui é quase uma reorganização de prateleira humana.

Claro que o título do reality ainda está em sigilo e a dinâmica segue guardada, o que só aumenta a curiosidade do povo, porque brasileiro adora um anúncio com cheirinho de cortina fechada. Mas a mensagem central já foi entregue. Ticiane saiu do lugar de figura conhecida da TV aberta e foi colocada na posição de aposta estratégica para o streaming. E isso, para quem começou tão cedo diante das câmeras, tem gosto de reinvenção com perfume caro e contrato bem alinhado.

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