Eu estava em Ibiza, almoço tranquilo, sol na cara, achando que teria uma tarde de paz. Aí o celular vibrou. Fonte minha, sem cerimônia, mandando as sinopses de quinta e sexta de “Além do Tempo”. Gente, eu li a de sexta duas vezes. Duas! Porque quando eu vi o nome Melissa perto da palavra penhasco eu já sabia que ia passar mal no almoço mais caro da ilha.
Vamos por partes. Na quinta, capítulo 84, Vitória descobre que Lívia é sua neta. Emília explica que a moça sempre rejeitou a Condessa e que a aproximação do casarão tinha um único objetivo, encontrar Bernardo. Só que Lívia vai deixando o ressentimento de lado e abraça a avó. Emocionante! E na hora que a avó e a neta se acertam, quem fica revoltada é a Emília, sofrendo ao ver a filha criando vínculo com a maior inimiga dela. Depois, Lívia perde a paciência e estapeia Melissa. Estapeia, minha gente! Felipe sai em defesa da amada e manda Melissa deixar o casarão imediatamente. Eu levantei da cadeira.

Sexta, capítulo 85, é onde meu coração parte. Emília coloca o plano de vingança contra Vitória em prática. Felipe, otimista como sempre, acredita que a Condessa vai entender por que ele escondeu Bernardo e promete conversar com ela. E antes da tragédia, os dois passeiam pelos vinhedos fazendo planos de futuro, felizes, sonhando com uma vida juntos. Sempre assim. Sempre que a novela mostra casal feliz no meio do vinhedo, alguém morre em vinte minutos.
E morreu. Pedro desafia Felipe para um duelo e Melissa aproveita a confusão para empurrar Lívia do penhasco. Felipe consegue segurar a moça por alguns instantes, mas Pedro interfere e os dois caem e morrem afogados. Cem anos depois, eles se reencontram por acaso no metrô e sentem uma ligação forte sem entender o motivo. Reencarnação, minha gente. A assinatura da casa. Quem viu “Alma Gêmea” sabe exatamente o tipo de sofrimento que vem pela frente.

Agora minha análise, e eu não vou ser educada. Melissa é a criatura mais desprezível que essa novela produziu e conseguiu superar a própria marca. Empurrar rival de penhasco no meio de um duelo é coisa de vilã que sabe que perdeu. Ela perdeu Felipe, perdeu o casarão, perdeu a compostura e resolveu apelar. E a Emília, que passa o capítulo inteiro sofrendo com ciúmes da própria filha, precisa entender que vingança contra Vitória não vai devolver nada do que ela perdeu.
Meu veredito. Lívia e Felipe merecem o final feliz que a vida do século passado não deu, e vão ter, porque o encontro no metrô é a promessa mais bonita que essa novela fez até agora. Eu quero é ver Melissa e Pedro pagando por cada segundo daquele penhasco. Quero ver o reencontro, quero ver a memória voltando aos pouquinhos, quero chorar no sofá. E que Emília descubra, nem que seja cem anos depois, que ódio nenhum vale uma filha.