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Kátia Flávia
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Médico baiano entra no ranking dos melhores cientistas do mundo em 2026

Bruno de Bezerril Andrade ensina na UNIFACS, orienta alunos no Lancet e ainda foi parar na Johns Hopkins

Kátia Flávia

15/04/2026 14h00

Bruno de Bezerril Andrade é médico, pesquisador e professor da UNIFACS/Inspirali | Créditos: Divulgação

Bruno de Bezerril Andrade é médico, pesquisador e professor da UNIFACS/Inspirali | Créditos: Divulgação

Estava eu saindo de uma galeria em Nápoles, daquelas com teto abobadado e luz que parece ter sido projetada especialmente para fazer qualquer pessoa parecer inteligente, quando minha fonte de dentro da área médica me mandou um release que fez eu parar no meio da rua, levantar uma sobrancelha e pensar: espera, esse homem está aqui na Europa em espírito faz tempo e ninguém avisou direito.

Bruno de Bezerril Andrade, médico baiano formado pela UFBA, doutor pela UFBA com Fiocruz, pós-doutor pelos National Institutes of Health nos Estados Unidos, entrou na 4ª edição do ranking do Research.com como um dos melhores cientistas do mundo em 2026. O ranking usa o Índice D combinado com volume de citações, publicações em periódicos indexados e contribuição proporcional à disciplina, ou seja, não é votação popular no Instagram, é métrica dura de impacto científico internacional.



Andrade está classificado na área de imunologia e doenças infecciosas, e o ponto de partida brasileiro da história é a UNIFACS, em Salvador, onde ele atua como professor desde 2017 pelo ecossistema Inspirali. Em 2025 ele acrescentou à agenda uma cadeira de professor de Medicina na Divisão de Doenças Infecciosas da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, uma das três ou quatro instituições no planeta que ninguém precisa explicar o que é.

No ambiente acadêmico e científico brasileiro, o post da UNIFACS anunciando o ranking circulou com velocidade considerável entre pesquisadores, professores de medicina e ex-alunos. Egressos da graduação que publicaram no The Lancet e no BMJ sob orientação dele foram compartilhar com aquela energia de quem foi orientado por alguém que apareceu no ranking e agora pode oficialmente dizer isso.

A instituição Inspirali usou o fato com timing perfeito, e o coordenador do curso foi ao comunicado com declaração que claramente foi pensada para circular em contexto de captação de alunos e credenciamento. Nada errado nisso, pelo contrário: é exatamente o que se faz com uma notícia boa.
A história de Bruno Andrade tem uma estrutura que o mercado educacional brasileiro não costuma produzir com frequência: ele não saiu da Bahia para ser grande lá fora e nunca mais voltou. Ele ficou na UNIFACS, orientou mais de cem estudantes de graduação em pesquisa, mandou doze deles para o doutorado sob sua própria supervisão, e construiu o MONSTER Research Institute com foco em populações vulneráveis, incluindo povos indígenas e pessoas em situação de rua.

A Johns Hopkins veio depois de tudo isso, como consequência de uma trajetória que não precisou abandonar Salvador para ganhar credibilidade internacional. Isso diz algo sobre como se constrói reputação científica real, e também diz algo sobre o que a UNIFACS pode mostrar quando tem um docente assim no currículo.

Doze ex-alunos de graduação hoje fazem doutorado com o mesmo professor que os formou. Na maioria das universidades brasileiras, isso seria assunto de formatura. Aqui virou ranking internacional. A diferença é que alguém lá decidiu que pesquisa de verdade podia coexistir com a agenda de shows de aprovação no ENEM, e deu certo. Eu precisava de uma história boa hoje, depois de hospital, infarto e briga de BBB. Obrigada, Bahia.​​​​​​​​​​​​​​​​

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