Eu acordei triste. Triste de verdade. A morte de Henrique Maderite bateu em mim como se fosse alguém da mesa de casa, o nosso sexto bebê das redes, aquele que parecia indestrutível, eterno, sempre ali no mesmo horário, no mesmo tom, do mesmo jeito.
Mas essa dor minha é pequena, quase decorativa, perto do que os filhos estão atravessando agora. O desabafo curto, seco e direto de Ana Clara me desmontou justamente por isso. Poucas palavras, nenhum enfeite, nenhuma tentativa de ser forte para a plateia. Só uma filha dizendo, sem filtro, o tamanho do vazio deixado por um pai tão presente, um marido tão firme e um avô tão amado.
“Me ensinou tudo, menos a viver sem ele”, desabafa filha de Henrique Maderite
Eu li sabendo que ia doer. Porque tem frase que não chega como legenda, chega como impacto. “Me ensinou tudo, menos a viver sem ele” é dessas que não pedem reação performática, pedem pausa.
A publicação de Ana Clara Ferreira expõe o luto sem qualquer tentativa de embalagem emocional. Não tem discurso construído, não tem frase pensada para viralizar, não tem edição estratégica. Tem uma filha falando do pai no momento em que a ausência ainda é barulhenta.
O vídeo escolhido diz muito. Henrique aparece dirigindo, cantando Noites Traiçoeiras, naquele registro cotidiano que todo mundo reconhecia. Nada produzido, nada ensaiado, nada calculado. Justamente por isso, tudo verdadeiro.
Henrique Maderite construiu uma presença digital rara. Empresário do ramo da construção civil, virou personagem do cotidiano das redes, criou bordão, criou ritual de sexta-feira ao meio-dia, virou companhia fixa para milhões de seguidores. Mas ali, naquele post, isso tudo perde protagonismo.
Porque fama não ajuda filho nenhum a atravessar o luto. Alcance não consola. Engajamento não preenche cadeira vazia.