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Kátia Flávia
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MClass: o site de acompanhantes que uniu Elize Matsunaga ao herdeiro da Yoki ainda vive na internet

Mais de 20 anos depois, a plataforma onde Elize Matsunaga anunciava como “Kelly” segue ativa; perfil antigo a descrevia como “loirinha muito carinhosa”.

Kátia Flávia

03/08/2026 14h45

Elize Matsunaga anunciava no MClass com o nome “Kelly”

Elize Matsunaga anunciava no MClass com o nome “Kelly”

O MClass, site adulto em que Elize Matsunaga anunciava antes de conhecer Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro da família fundadora da Yoki, segue disponível na internet mais de 20 anos depois. O domínio foi registrado em 28 de agosto de 1997 e ainda mantém páginas de busca, perfis, cidades, bairros, cadastro de anunciantes, agências e planos de publicidade.

Eu ainda estava no Noiam Ibiza, em Santa Eulària, já com o fim de tarde dourando a mesa, quando retomei essa pauta. Empurrei para o lado o prato de peixe grelhado com batatas e aioli, pedi um café cortado com gelo e pensei: tem história que a internet não deixa morrer. Ela só troca o layout, atualiza o botão de cadastro e segue ali, como se não tivesse sido a porta de entrada de uma tragédia nacional.

Elize Matsunaga entrou no site em setembro de 2004, aos 23 anos, mas dizia ter 19. Na época, usava o nome “Kelly” e mantinha um perfil com 22 fotos. Em 2012, a Folha de S.Paulo registrou que o anúncio a descrevia como uma “loirinha muito carinhosa” e prometia que o cliente “não vai se arrepender”.

Aí mora o detalhe de novela sombria, minhas queridas. O que começou como anúncio em site de acompanhantes virou casamento com executivo milionário, vida em triplex, detetive particular, traição descoberta, crime brutal e documentário de streaming. Se roteiro de ficção entregasse isso tudo no primeiro capítulo, alguém acusaria o autor de ter perdido a mão. A vida real, como sempre, não tem editor responsável pelo bom senso.

O jornalista Ullisses Campbell, autor de uma biografia sobre Elize Matsunaga, reconstruiu que o anúncio chamou a atenção de Marcos Matsunaga, então casado e cliente de acompanhantes. Os dois passaram a se encontrar, começaram um relacionamento e, mais tarde, se casaram. Documentos judiciais do caso também registraram que Elize integrava o MClass quando conheceu o empresário.

Marcos Matsunaga foi morto em maio de 2012. Elize Matsunaga confessou ter matado e esquartejado o marido após uma briga motivada por traição. Na época, segundo a Folha de S.Paulo, ela afirmou à polícia que havia contratado um detetive particular, descoberto o envolvimento de Marcos com outra acompanhante e sido xingada durante a discussão.

O MClass, por sua vez, sempre se apresentou como uma vitrine de classificados, sem intermediar diretamente a negociação entre anunciantes e clientes. É aquela frase corporativa que tenta deixar tudo limpo, asséptico, quase jurídico. Só que a vida real não respeita nota de rodapé. Ela entra pela fresta do formulário, senta na sala e vira manchete.

Mais de duas décadas depois, o site seguir ativo dá uma camada ainda mais estranha ao caso. Não é só memória criminal, não é só curiosidade mórbida, não é só bastidor antigo voltando à tona. É a prova de que alguns cenários sobrevivem aos personagens, aos escândalos e até às condenações.

Tomei o café cortado já aguado pelo gelo e fiquei olhando a tela do celular. Em Ibiza, a luz do fim de tarde deixava tudo bonito demais para uma história tão escura. Mas fofoca, quando encosta em crime, perde o glitter e vira documento. E esse documento continua on-line.

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