Prepare o leque, que o barraco foi servido em temperatura ambiente no Joá, mas a indignação veio fervendo diretamente do coração de MC Poze do Rodo. O funkeiro não se calou ao ver o amigo e colega de cena, Oruam, ser mais uma vez alvo de operação da Polícia Civil, e tratou logo de abrir um verdadeiro dossiê indignado nos stories.
“Não é possível que nada vai acontecer”, disparou Poze, com a veia na testa e o feed pegando fogo. “Os caras tão esculachando nós a troco de nada”, completou, deixando claro que não aguenta mais o que considera uma verdadeira perseguição contra os funkeiros do Rio.

E não parou por aí. Poze, que já foi preso por suposta ligação com facção criminosa e sabe bem como é ter seu nome circulando entre sirenes, viaturas e manchetes, compartilhou imagens fortíssimas da operação. Em uma delas, segundo ele, um dos jovens apreendidos é agredido por policiais, tudo em frente à casa de Oruam.
“O mesmo cara fez comigo e agora com os amigos! Loucura. Ninguém faz nada, ninguém se move, ninguém nada!”, escreveu Poze, num tom de desabafo digno de dramalhão das 9. Porque quando a quebrada grita, tem que ser ouvido!

Mas, atenção, porque mesmo no meio da revolta, o Poze mostrou que também sabe ser estrategista, estilo CEO do subúrbio: “Vamos agir na sabedoria! Algo tem que ser feito, nós não aguenta mais toda essa perseguição”, pediu o cantor, mostrando que não é só tiro, porrada e bomba, também é consciência, reflexão e resistência.

Enquanto a polícia garante que Oruam não era o alvo da operação e que a ação mirava um menor suspeito de integrar uma facção criminosa, Poze vê o cenário de outra forma: um padrão de opressão contra jovens pretos e periféricos que ousam vencer e brilhar fora da caixa.
A pergunta que fica no ar, minha gente rica em opinião e sedenta por justiça, é: até quando vão tentar apagar quem só quer fazer seu som, cuidar da sua quebrada e ostentar uma corrente sem algemas?