Estou fazendo almoço em Lisboa e, depois da final de ontem, inventei que agora sei empratar. O perigo mora aí. Entre panela no fogo e celular na bancada, já estou tentando chegar a Criciúma para falar com Jéssica Cechella, porque a bombeira militar saiu da cozinha do MasterChef Brasil com um currículo de prêmios que fez meu almoço parecer ainda mais humilde.
Jéssica venceu Carla Araújo na final ao vivo desta terça-feira (29) e conquistou a 13ª temporada do MasterChef Brasil. E tem um detalhe televisivo interessante: numa noite tomada por debate político na televisão e nas redes, a Band colocou uma final de reality gastronômico no ar e fez sua própria aposta de programação. Enquanto Brasília fervia, a emissora preferiu deixar ferver panela.

A catarinense, natural de Criciúma, ganhou os jurados Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça com o menu autoral “Entre Mares”, inspirado no litoral de sua região. Teve mil-folhas de carne de siri na entrada, sorrentino de camarão no principal e, na sobremesa, sorvete de cupuaçu feito com nitrogênio líquido, flor de jambu, creme inglês de tucupi negro, chocolate e pão de ló. Eu li “nitrogênio líquido” e imediatamente baixei o fogo da minha panela. Cada uma com o MasterChef que consegue sustentar.
Mas a vitória não terminou no troféu. Jéssica levou R$ 300 mil, um Renault Boreal zero-quilômetro, vale-compra de R$ 30 mil da Havan e formação gastronômica. Também ganhou uma imersão em Lisboa, oferecida pela Nomad. Pois é. A campeã ainda vem estudar temperos e cultura por estas bandas. Lisboa é pequena demais para nós duas com fome.
O prêmio que ela mais queria, porém, era a oportunidade de estudar gastronomia. Jéssica contou à Band que já comprou um terreno pensando em abrir o próprio restaurante e pretende amadurecer o projeto. Ao mesmo tempo, não anunciou despedida imediata da carreira de bombeira militar. “Nada é permanente”, resumiu ao falar sobre os próximos passos.

E é justamente essa história que eu quero ouvir dela sem filtro de final de programa. Estou aqui tentando falar com Criciúma enquanto vigio o almoço, porque uma mulher que apaga incêndio, encara Jacquin, ganha o MasterChef e ainda termina com planos de restaurante não merece só parabéns. Merece pergunta boa.