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Kátia Flávia
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Mário Oliveira Filho entra na corrida para presidência da Republica prometendo crescimento de 5% ao ano

Engenheiro e advogado, Mário Oliveira Filho lançou sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. No anúncio, apresentou um plano que inclui reengenharia do Estado, corte de gastos públicos e meta de crescimento econômico acima de 5% ao ano.

Kátia Flávia

12/03/2026 14h30

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O Brasil tem recursos, escala e potencial. O que falta é organização institucional e um projeto claro de crescimento”, afirma Mário. (Foto: Divulgação)

Meus fofoqueiros , eu pausei tudo porque a política brasileira resolveu me entregar um personagem de sala de conselho que agora quer trocar a mesa de reunião pelo Palácio do Planalto. Mário Oliveira Filho anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 com um discurso de gestor, uma biografia técnica na manga e um plano ambicioso para recolocar o Brasil, segundo ele, numa rota de crescimento econômico superior a 5% ao ano.

O lançamento vem embalado por uma proposta de reengenharia institucional do Estado brasileiro. No material apresentado, Mário diz que o país precisa modernizar a máquina pública, ampliar a eficiência administrativa e recuperar a capacidade de planejar e executar projetos de longo prazo. Eu li aquilo com a expressão de quem abre um comunicado político esperando fumaça e encontra um pacote inteiro de metas, diagnóstico institucional e promessa de reorganização nacional. Brasília adora um personagem que chega com apostila própria.

Segundo o documento, o objetivo central é enfrentar problemas que, na visão do pré-candidato, travam o desenvolvimento do país há décadas, como corrupção, criminalidade, burocracia, insegurança jurídica, gastos excessivos e serviços públicos insatisfatórios. A proposta foi reunida no texto chamado Diretrizes para a Reengenharia Institucional, Política, Econômica e Social do Brasil, organizado em sete áreas consideradas estruturais para o desenvolvimento nacional.

No eixo econômico, Mário Oliveira Filho promete um ciclo sustentado de crescimento acima de 5% ao ano, com a meta de dobrar em até dez anos a renda da população, reduzir desigualdades e ampliar a oferta de serviços públicos em padrão internacional. O plano também fala em posicionar o Brasil entre as principais economias do mundo nas próximas décadas, alcançando a condição de sétima maior economia global até 2034 e consolidando o país como potência econômica, tecnológica e militar até 2040. Eu quase ouvi uma trilha de filme institucional ao fundo, porque a régua foi colocada lá no lustre.

A parte fiscal também vem pesada. O projeto prevê revisão integral das despesas públicas com base no conceito de Orçamento Base Zero, redução de até 20% dos gastos governamentais e diminuição gradual da carga tributária brasileira dos atuais cerca de 33% do PIB para aproximadamente 26% em até quatro anos. O recado do pré-candidato é simples, ainda que nada simples de executar. Menos peso do Estado, mais previsibilidade e mais espaço para investimento e crescimento.

Na área institucional, o documento lista propostas voltadas ao combate à corrupção, endurecimento penal e reforma do Judiciário. Entre elas estão a classificação da corrupção como crime hediondo, recompensa a denunciantes de esquemas comprovados, regras de transparência patrimonial para integrantes das cortes superiores e mandato com prazo determinado para ministros do Supremo Tribunal Federal, além de idade mínima e tempo mínimo de experiência profissional para indicação. Aí, meu amor, a temperatura sobe, porque mexer nesse vespeiro em ano pré-eleitoral é pedir para virar assunto em jantar, gabinete, grupo de WhatsApp e mesa de bar.

O plano também dedica espaço à educação, ciência e tecnologia. Mário propõe educação em tempo integral dos 2 aos 18 anos, prioridade ao ensino técnico e profissionalizante, meta de colocar cinco universidades brasileiras entre as 100 melhores do mundo e uso da inteligência artificial e das tecnologias digitais como motores centrais da produtividade nacional. Eu gosto quando aparece IA no meio desses documentos porque todo político quer parecer de 2026 sem largar a pose de estadista de 1988.

Na construção política da candidatura, Mário afirma que sua proposta passará a ser discutida com lideranças partidárias, governadores, parlamentares e representantes do setor produtivo. Segundo ele, a intenção é formar uma base em torno de uma agenda de crescimento econômico, modernização institucional e aumento da capacidade de execução do Estado. Hoje, ele ainda avalia opções de filiação partidária.

O comunicado também tenta encaixar sua pré-candidatura num cenário eleitoral ainda aberto. O texto cita pesquisa espontânea do Datafolha divulgada em 7 de março, segundo a qual 44% dos entrevistados disseram ainda não saber em quem votar para a eleição presidencial de 2026. Também menciona um estudo nacional da organização More in Common em parceria com pesquisadores da USP, apontando que 54% dos brasileiros não se identificam com os polos mais mobilizados da política nacional. A leitura do pré-candidato é que existe espaço para uma nova liderança com discurso focado em crescimento e capacidade de execução.

Na trajetória pessoal, o material apresenta um currículo montado para sustentar essa narrativa de gestor experiente. Filho de pai ferroviário e mãe enfermeira, Mário estudou em escola pública, formou-se no SENAI, graduou-se em Engenharia pela Unesp e em Direito pela PUC-SP, com pós-graduação em finanças e administração pela FGV e pela Fundação Dom Cabral. Ao longo da carreira, participou da estruturação de financiamentos internacionais e da implantação de grandes projetos industriais e de infraestrutura no Brasil e no exterior, com passagens por setores como energia, petróleo, portos, saneamento, siderurgia e engenharia pesada.

O comunicado destaca ainda atuação em projetos ligados a empresas como BP, Bechtel, Total, Ecopetrol, PDVSA e outras gigantes internacionais, além de experiências na Petrobras, no Metrô de São Paulo e na multinacional francesa Degremont, do grupo Suez, onde liderou a recuperação da companhia após anos de prejuízos operacionais. Tem também um livro no currículo, publicado em 2006, em que ele trata de entraves institucionais ao desenvolvimento econômico brasileiro. Ou seja, meu povo, o pacote vem com biografia, tese, discurso de execução e uma certa vontade de vender a imagem de técnico com alma de reformador.

Eu confesso que comecei a leitura com um pé atrás, porque pré-candidatura no Brasil às vezes parece desfile de PowerPoint com autoestima inflada. Mas aqui existe um esforço claro de apresentar rumo, repertório e bandeiras objetivas. Outra conversa, claro, é saber se esse cardápio inteiro sobrevive ao mundo real da política, que adora mastigar projetos ambiciosos com farinha de pragmatismo.

A pergunta que fica no meu camarote, taça na mão e sobrancelha em pé, é se Mário Oliveira Filho vai conseguir transformar currículo de executivo e discurso de reengenharia em musculatura eleitoral de verdade. Porque lançar uma pré-candidatura com promessa de 5% ao ano é bonito no papel. Difícil mesmo é fazer o eleitor comprar a ideia de que o Brasil, esse protagonista dramático e indisciplinado, vai aceitar mudar de roteiro assim tão fácil.

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