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Kátia Flávia
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Mário Gomes pede dinheiro e classe artística segue em silêncio

Enquanto o ator expõe a própria miséria nas redes, colegas de profissão somem, fingem que não veem e deixam o drama correr solto no colo do público.

Kátia Flávia

29/12/2025 16h15

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O ator Mário Gomes pediu doações aos seguidores nas redes sociais. Foto: reprodução/Instagram

Gente, senta que lá vem constrangimento. Mário Gomes, galã de novelas, rosto conhecido da TV brasileira, hoje aparece nas redes pedindo pix para conseguir comer. Sim, comer. Não é força de expressão, não é exagero de colunista, é o que ele mesmo disse, com todas as letras e com a dignidade já bem castigada pelo tempo e pela falta de amparo.

O ator contou que perdeu a casa, que ficou sem dinheiro, que tentou resistir, mas que acabou cedendo aos pedidos dos próprios seguidores para abrir uma vaquinha. Falou sem vitimismo, sem maquiagem emocional. Disse que está difícil, que está faltando comida, que qualquer valor ajuda.

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Mário Gomes é um ator brasileiro conhecido por galãs e papéis de destaque em novelas clássicas da Globo. (Foto: Artur Meninea/TV Globo)

E aí vem a pergunta que não quer calar. Onde está a classe artística?

Porque ajuda do público até veio. Fã humilde mandando dez reais, gente dizendo “tamo junto”, coração apertado, solidariedade real. Mas e os colegas de profissão? Os parceiros de cena? Os amigos de novela? Os que dividiram camarim, cachê milionário, tapete vermelho, prêmio e aplauso?

Silêncio. Um silêncio ensurdecedor.

Enquanto isso, o mesmo meio artístico que vive discursando sobre empatia, união e acolhimento some quando um dos seus cai. Some quando a fama acaba. Some quando o glamour vira boleto atrasado.

Mário Gomes não está pedindo luxo. Não está pedindo viagem, carro, joia ou glamour. Está pedindo o básico. Comida. Dignidade. Um respiro.

E aí vem o ponto mais indigesto dessa história: não é a primeira vez.

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Mário Gomes pede dinheiro e diz que estão faltando coisas para comer. Foto: reprodução/Instagram

No ano passado, o ator já havia sido despejado da casa onde morava no Joá, imóvel avaliado em mais de 20 milhões, vendido para pagar dívidas trabalhistas. Chegou a vender sanduíche na praia. Pediu ajuda. Pediu pouco. Pediu com vergonha.

E de novo, o silêncio. A pergunta que fica é dura, mas precisa ser feita: a classe artística só aparece quando é para aplaudir o sucesso?

Porque quando o sucesso acaba, o que sobra é o abandono. E aí sobra para o povo fazer o que o sistema não faz.

Mário Gomes erra, como todo mundo erra. Mas a situação dele escancara algo maior, mais feio e mais estrutural: o Brasil não cuida dos seus artistas depois que a fama passa.

Hoje é ele. Amanhã pode ser outro.

E enquanto isso, o pix segue aberto. O ator segue esperando. E a classe artística segue muda. Silenciosa demais para quem sempre falou tanto. Chave pix: ajudamariogomes@gmail.com

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