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Kátia Flávia
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Mario Frias tem emendas validadas e teatrinho desaba em Brasília

Projetos apoiados por Mario Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon foram colocados sob suspeita, mas a análise técnica da Câmara afastou qualquer irregularidade. Nos bastidores, o caso já é tratado como reação ao uso político de questionamentos institucionais contra pautas conservadoras

Kátia Flávia

09/04/2026 16h30

Mario Frias | Reprodução: Redes Sociais

Mario Frias | Reprodução: Redes Sociais

Eu estava em Milão, entre um espresso que custava mais do que devia e uma gente muito empenhada em parecer importante, quando me chegou esse enredo tipicamente brasiliense. E Brasília, vocês sabem, adora transformar divergência ideológica em espetáculo com carimbo oficial. Foi o que tentaram fazer com projetos culturais, educacionais e sociais apoiados por emendas de Mario Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. A ideia era velha, mas sempre encenada com a mesma empolgação, levantar suspeita, fazer fumaça e ver se alguém comprava o escândalo antes de ler a papelada.

Só que a peça perdeu força quando entrou em cena aquilo que estraga a diversão de muito justiceiro de gabinete, a análise técnica. E análise técnica tem esse péssimo hábito de olhar documento, rito, origem, legalidade. O parecer da Câmara foi cristalino ao afirmar que não houve irregularidade nas emendas e que todo o processo seguiu a legislação vigente. Uma notícia chatíssima para quem já estava com a indignação passada, o textão mental pronto e a pose de vestal engomada.

No fundo, o incômodo de certos setores nunca foi apenas com a forma. É com o conteúdo mesmo. Projeto conservador, em certos salões de Brasília, já entra na sala tratado como suspeito, quase como se defender determinados valores fosse uma infração estética. Aí começa aquele ritual que eu conheço bem, sobe a sobrancelha, aciona-se a engrenagem institucional, espalha-se o constrangimento e torce-se para que a simples insinuação faça o serviço que a prova não fez.

Não fez. E é justamente aí que mora a graça ácida desse caso. Porque quando a tentativa de deslegitimar um grupo fracassa diante dos fatos, sobra aquela cena constrangedora de quem foi montar um linchamento moral e acabou atropelado por um parecer técnico. No fim, o episódio fala menos sobre as emendas e muito mais sobre o desespero de quem não suporta ver projeto conservador funcionando, crescendo e, pior de tudo para certos egos, funcionando dentro da regra.

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