Amores, eu vi, eu vivi e eu aviso logo, Marina Orlanda não voltou ao Carnaval para passar despercebida. Voltou para ser vista de longe, com brilho suficiente para ofuscar poste de avenida e com investimento de gente grande, daqueles que fazem contador suspirar e rival ranger dente.
Apelidada na internet de musa pé-quente, a loira confirmou o título com presença no Desfile das Campeãs em dois carnavais distintos. Em São Paulo, desfilou pela Barroca Zona Sul, que saiu com um honroso quinto lugar. Em Taubaté, entrou pela Renascer da Vila São José e saiu campeã, com direito a volta triunfal do Carnaval da cidade depois de anos de silêncio na avenida.

Em São Paulo, Marina encarnou Oxum, orixá da beleza, da prosperidade e da força feminina, tudo muito coerente com o pacote completo da personagem. A fantasia dourada, avaliada em cerca de 80 mil reais, era puro exagero bem calculado, cristais por todos os lados, penas nas cores da escola e aquele ar de quem sabe exatamente onde está pisando.
Já em Taubaté, o clima era outro, mais político, mais simbólico, mais poder mesmo. O enredo Ary Kara – A voz do povo homenageava o patrono da escola, e Marina veio representando essa energia de comando, com uma fantasia igualmente luxuosa. Somando os dois desfiles, passaram fácil de 70 mil cristais bordados, todos aplicados à mão, depois de 45 dias de trabalho intenso de ateliê. Nada de milagre, só suor, linha e muito brilho.

Entre uma concentração e outra, Marina abriu o jogo e contou que o projeto Carnaval custou cerca de 300 mil reais. E ela fala isso rindo, daquele riso de quem sabe que gastou, mas gastou bem. Segundo ela, voltar ao Desfile das Campeãs em São Paulo e ainda viver a emoção do título em Taubaté foi daqueles momentos que ficam guardados com glitter no coração.
E não parou por aí. Além de Marina como musa, a Renascer levou para a avenida rainha de bateria, família do homenageado e uma direção artística assinada pelo carnavalesco e escultor João Rozendo, tudo muito bem alinhado, muito bem ensaiado e muito bem resolvido.

Resumo da ópera carnavalesca, meus amores. Marina Orlanda não brincou de desfilar. Ela entrou no Carnaval como quem entra num palco sabendo que o espetáculo era sobre ela, com cristal, com enredo e com final feliz. Quem viu, viu. Quem piscou, perdeu.