Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Marcos Oliveira , o Beiçola critica convivência no Retiro dos Artistas: “Não estou no passado”

O eterno Beiçola contou à coluna GENTE, em entrevista a Valmir Moratelli, que viver no Retiro dos Artistas “é ótimo”, mas reclamou do comportamento de outros moradores e da insistência deles em reviver histórias de outros tempos.

Kátia Flávia

25/03/2026 11h59

whatsapp image 2025 05 26 at 16.30.08

O ator critica convivência no Retiro dos Artistas, afirmando que os colegas gritam alto e criam atritos (Foto: Reprodução/Google Imagens)

Eu estava naquele estado clássico de cidadã brasileira entre um café requentado e uma curiosidade de classe artística, quando me deparei com Marcos Oliveira dando uma entrevista daquelas que já vêm com verdade, mágoa e material de coluna prontos. Do Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, o eterno Beiçola abriu a porta do desconforto e resolveu falar sem enfeite. E eu gosto quando a celebridade larga a embalagem e entrega o ruído da vida como ela é. 

O fato é simples e tem um sabor bem brasileiro de bastidor institucionalizado. Marcos disse à coluna GENTE, da Veja, que viver no Retiro “é ótimo”, mas que a convivência exige adaptação, principalmente na hora das refeições, quando os moradores fazem comentários e falam muito sobre o passado. Foi aí que ele soltou a frase que organiza a pauta inteira com a precisão de um tapa de luva: “eu não estou no passado”. 

No bastidor da imagem, a fala caiu com aquele peso que o público adora reconhecer porque mistura vulnerabilidade, orgulho e um certo cansaço social. O homem virou símbolo de uma geração de artistas que o Brasil ama rever em meme, em reprise e em lembrança afetiva, mas nem sempre sabe recolocar no presente com a dignidade que merece. Quando ele rejeita a roda viva da nostalgia no refeitório, ele está também empurrando para longe esse vício nacional de tratar ator veterano como peça de museu com CPF. 

E aqui entra a minha psicanálise de boteco, que funciona melhor do que muita live motivacional. O Retiro dos Artistas, para muita gente, é vendido como acolhimento, paz e camaradagem de fim de ato. Só que qualquer lugar com seres humanos, memória demais e vaidade ferida pode virar um condomínio emocional com cara de último capítulo de novela sem diretor para gritar corta. Marcos quer futuro, trabalho, aula de dublagem, movimento. A mesa ao lado quer recordar glória. Está armado o conflito mais carioca possível entre a sobrevivência e a saudade. 

O que acho mais interessante nessa história é que Beiçola, personagem tão associado ao humor escancarado, aparece agora como um homem tentando proteger a própria vitalidade. Ele não quer pena, não quer viver de eco, não quer ser reduzido à lembrança simpática de um país que vive de bordão. No fundo, Marcos fez o que pouca gente tem coragem depois de certa idade: olhou para a roda do passado, agradeceu a cadeira e preferiu continuar em pé

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado