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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Marcos Mion falou “eu” oito vezes em menos de um minuto pra Renato Aragão. Oito.

Homenagem ao Didi virou monólogo de apresentador, e o Instagram já está com cronômetro na mão

Kátia Flávia

13/04/2026 13h15

Marcos Mion | Reprodução (TV Globo)

Minha gente, eu estava saindo de uma reunião aqui da Itália quando o áudio chegou no meu telefone e eu precisei sentar. Numa escada. De mármore. Porque não era possível que eu tinha ouvido certo.
Tinha ouvido, sim.

Marcos Mion recebeu Renato Aragão o nosso Didi Mocó no Caldeirão, programa dele na Globo, para uma homenagem ao homem de 91 anos que inventou o Didi Mocó e passou décadas comandando o Criança Esperança. Uma lenda viva. Uma homenagem merecida. Aí Mion abriu a boca e, em menos de um minuto, falou “eu” oito vezes. Oito. A contagem foi feita pelo Luiz Ricardo, do perfil @excentrico no Instagram, com cronômetro e tudo. O resultado é pedagógico.

O pico da performance veio quando Mion trouxe à tona o Criança Esperança, projeto que Renato construiu por décadas, como uma conquista pessoal. Disse que quando chegou à Globo queria muito apresentar o programa, que conseguiu, e que estava ali “única e exclusivamente para falar que eu estive no seu lugar.” Completou dizendo que foi “infinitamente menos relevante.” Bom, pelo menos nessa última parte ele acertou.

Nas redes, o vídeo correu rápido. Nos comentários, a palavra mais repetida foi “constrangedor.” Nos bastidores da Globo, segundo o que chegou até mim, o episódio também pegou mal. Ninguém apagou nada, ninguém sumiu do feed, mas o silêncio institucional da emissora sobre a repercussão já diz bastante. Renato Aragão, que é de uma elegância antiga e intocável, ficou ali, composto, enquanto a homenagem a ele virava currículo de outro.

O detalhe que a leitura maldosa exige: Mion é um apresentador que construiu sua narrativa pública inteira em cima da autenticidade emocional. O choro, a família, o homem que se expõe. Funciona muito bem quando o protagonista é ele. Quando o protagonista deveria ser Renato Aragão, 91 anos, patrimônio vivo da televisão brasileira, esse mesmo mecanismo travou e rodou em falso. O ego performático não desligou na hora certa. E aí fica a pergunta que o @excentrico já respondeu com dados: em uma homenagem a outra pessoa, quem é o assunto?

Renato Aragão chegou aos 91 anos sem precisar contar quantas vezes disse “eu” pra ninguém. Essa é a diferença entre lenda e apresentador.

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