Estou numa mesa de bar aqui em Bari aqui em Puglia, entre um Negroni que pediu pra ficar e uma conversa que começou com política italiana e terminou em Márcio Garcia, porque a vida é assim. Minha fonte ligou enquanto eu esperava minha drenagem marcar no salão da Via Montenapoleone e jogou no meu colo um dossiê que fez o gelo do copo derreter de inveja. O galã das tardes da Globo montou uma holding com 11 empresas, fatura mais de R$ 500 milhões e participa de negócios em energia sustentável, alimentação e estética, trocando o contrato fixo por dividendos e participação societária. Eu larguei o telefone na mesa, olhei pro teto barroco desse bar e pensei: meu Deus, esse homem estava trabalhando.
O modelo que ele criou tem nome bonito no mercado, “mídia por equity”, e funciona assim: em vez de cobrar cachê por merchandising, ele entra nas empresas como sócio, oferecendo imagem e relacionamento em troca de fatia do negócio. Com isso, montou um portfólio que vai de tecnologia a imóveis de alto padrão, incluindo uma mansão avaliada em valores que fariam um executivo da Faria Lima engasgar no café da manhã. A holding concentra tudo, distribui risco e gera receita recorrente, o tipo de estrutura que nenhum contrato de emissora jamais ofereceu. E ele foi fazendo isso gradualmente, enquanto o Brasil ainda o enxergava como apresentador de domingo.



Agora, o que o Instagram do Márcio conta sobre esse universo paralelo é o mínimo: posts esparsos, viagens que parecem mais de reunião do que de férias, e uma presença digital calculada que não entrega muito. Não houve megaanúncio, não houve campanha de rebranding público, não houve nenhum “eu me reinventei” em vídeo com fundo de nascer do sol. O que existe são stories que de vez em quando aparecem em eventos corporativos, sem legenda explicativa, e uma audiência que curte sem entender muito bem o que está curtindo. E isso, minha gente, é o tipo de comunicação que faz a concorrência dormir mal.
A leitura que eu faço é a seguinte: ele percebeu antes de muita gente que a fama tem prazo de validade como ativo de cachê, mas tem prazo indeterminado como ativo de relacionamento. Enquanto outros ex-galãs estavam brigando por espaço em reality ou tentando emplacar série no streaming, Márcio estava sentado em reunião de conselho com CFO de empresa de energia. O networking de décadas de televisão virou porta de entrada para um mercado que não se importa com audiência, importa com resultado. E a mansão estratosférica no portfólio imobiliário não precisa de explicação, ela mesma é o argumento.
Então aqui vai meu brinde milanês ao Márcio Garcia, que saiu da tela sem discurso de despedida e voltou pelos fundos com CNPJ, sócio e faturamento que envergonha muita emissora que já pagou o salário dele. Minha amiga ao lado perguntou se eu achava que ele era feliz assim, longe das câmeras. Eu disse: querida, com 11 empresas faturando meio bilhão, o que importa é que ele está rico. A felicidade a gente negocia depois, de preferência com participação societária.