Engenheiro eletrônico com pós-graduação em Gerenciamento de Projetos, Marcello Matera construiu uma trajetória profissional marcada pelo rigor técnico, pela busca constante por conhecimento e pelo interesse em desenvolver soluções que atendam às necessidades reais de cada cliente.
Formado em Engenharia Industrial Elétrica, com ênfase em Eletrônica, pelo CEFET, ele acumulou mais de uma década de experiência na área de projetos e no acompanhamento de obras residenciais e corporativas antes de empreender. Em 2018, fundou a M2 Projetos de Tecnologia e Iluminação, empresa de engenharia dedicada ao desenvolvimento de projetos técnicos que integram tecnologia, automação e iluminação aos diferentes ambientes.
A decisão de criar o próprio negócio surgiu de uma inquietação com o modelo tradicional do setor. Marcello percebia que, em muitos casos, a especificação de equipamentos era influenciada pelos produtos comercializados, e não necessariamente pelas demandas dos clientes ou pelas características de cada projeto. A M2 nasceu, então, com a proposta de oferecer soluções independentes, priorizando a análise técnica e a funcionalidade.
“Uma coisa que me incomodava era que a especificação acabava influenciada pelo produto que se vendia, e não pelo que o projeto e, principalmente, o cliente precisavam”, explica.
Marcello explica que a empresa desenvolve projetos de tecnologia, automação, sistemas de controle, áudio, vídeo e iluminação para residências de alto padrão e empreendimentos corporativos, como empresas, instituições, edifícios e hospitais.

O empresário destaca que não comercializa nem instala os equipamentos especificados, e a M2 concentra sua atuação no planejamento e na definição das soluções mais adequadas a cada ambiente. O trabalho começa, preferencialmente, nas etapas iniciais da obra, em parceria com arquitetos, designers e outros profissionais, para compatibilizar os projetos e evitar falhas, retrabalhos e desperdícios de recursos.
A trajetória da M2 começou em uma sala pequena, onde Marcello trabalhava com apenas mais um projetista. Com o tempo, a empresa ampliou sua atuação e encontrou oportunidades mesmo diante de desafios como os provocados pela pandemia. Enquanto parte do mercado corporativo reduziu a demanda com a adoção do trabalho remoto, o aumento do tempo passado em casa estimulou reformas e investimentos em sistemas de controle nos imóveis residenciais.
Apesar dos avanços, Marcello considera que a falta de informação sobre automação e tecnologia ainda é um obstáculo. Para ele, também é necessário mostrar ao mercado que o desenvolvimento de um projeto técnico independente tem valor próprio.
“Precisávamos mostrar ao mercado o valor de um projeto independente, em um setor acostumado a receber o projeto de graça, entre aspas. Nada é de graça: esse valor acaba embutido na venda do produto ou no serviço que será prestado”, ressalta.
Em 2022, a M2 incorporou os projetos luminotécnicos à sua atuação. A decisão respondeu a desafios de compatibilidade entre luminárias e sistemas de controle, mas também resgatou uma paixão antiga do engenheiro.

Marcello contou que, durante o estágio na General Electric do Brasil, ele já desenvolvia projetos de iluminação e conhecia os processos de fabricação de luminárias e lâmpadas. A experiência despertou seu interesse pelos efeitos da luz e pela maneira como ela pode transformar a percepção dos espaços.
Um projeto residencial realizado no Leblon, no Rio de Janeiro, foi especialmente marcante. Nele, a equipe trabalhou diretamente com o cliente na personalização das cenas de iluminação, considerando os ambientes e a rotina da casa. O resultado, segundo Marcello, continuou atendendo às expectativas do morador mesmo anos após a entrega.
“Foi ali que a gente percebeu que a iluminação deixaria de ser só técnica e passaria a ser algo a mais. A iluminação mexe com a forma como a pessoa sente o ambiente”, afirma.
Essa perspectiva orienta sua relação com arquitetos e designers. Marcello defende que a tecnologia deve complementar a arquitetura, respeitando a estética e garantindo o funcionamento adequado dos sistemas. “O ponto de partida é entender que a tecnologia está a serviço do espaço, e não o contrário”, resume.
A ética também orienta as decisões de Marcello à frente da M2. O engenheiro afirma que a empresa não assume projetos para substituir profissionais que já estejam à frente do trabalho e evita serviços que estejam fora de sua competência técnica. Nesses casos, a preferência é indicar outros especialistas, uma postura que, segundo ele, preserva o respeito entre os profissionais e fortalece as relações de confiança no mercado.

A formação de novos talentos também ocupa um espaço importante em sua trajetória. Muitos colaboradores ingressaram na empresa como estagiários e desenvolveram na prática conhecimentos específicos da área. É o caso de Jenipher Krizia que começou como estagiária e posteriormente se tornou sócia da M2, uma conquista que Marcello destaca com orgulho.
“Você vê alguém que entrou lá atrás, sem conhecimento nenhum, participar de uma reunião, conversar com um arquiteto, com um cliente e tirar dúvidas tecnicamente. Essa é uma conquista muito significativa para mim”, conta.
Com projetos desenvolvidos em diferentes regiões do Brasil e também em Portugal, a M2 busca ampliar sua atuação e consolidar-se como referência em engenharia, tecnologia e iluminação. Entre os planos de Marcello estão a publicação do livro A Engenharia Integrada: os Novos Tempos das Construções, a realização de iniciativas de formação profissional e a participação em mais palestras, inclusive em instituições ligadas à sua própria trajetória acadêmica.
Mais do que expandir a empresa, Marcello deseja contribuir para elevar o nível técnico do setor e transformar a maneira como os projetos são concebidos. Seu objetivo é que tecnologia e iluminação sejam integradas à arquitetura e às demais disciplinas desde o início das obras, e não tratadas como questões a serem resolvidas apenas na etapa final.
“Meu maior legado é uma mudança de mentalidade: que a tecnologia e a iluminação sejam pensadas desde o início do projeto, integradas às outras disciplinas. Os projetos complementares precisam se falar, precisam se integrar”, finaliza.