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Kátia Flávia
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Marcador genético ganha destaque na prevenção cardiovascular: lipoproteína(a) pode indicar risco além do colesterol

Dr. Pedro Andrade explica por que esse marcador pode ser decisivo na identificação precoce de risco cardíaco

Kátia Flávia

17/04/2026 15h15

Dr. Pedro Andrade, pesquisador e doutorando na USP e fundador do Instituto Genoma

Dr. Pedro Andrade, pesquisador e doutorando na USP e fundador do Instituto Genoma

Durante décadas, o colesterol ocupou o centro das discussões sobre risco cardiovascular. No entanto, avanços recentes vêm ampliando esse olhar e trazendo à tona um marcador ainda pouco conhecido do público: a lipoproteína(a), ou Lp(a).

Estudos prospectivos indicam que níveis elevados dessa partícula estão associados a maior risco de doença coronariana, independentemente do colesterol tradicional. Em algumas coortes populacionais, indivíduos com Lp(a) acima de 30 mg/dL apresentaram cerca de 50% maior risco de eventos cardiovasculares, reforçando o papel desse marcador como uma camada adicional de avaliação de risco.

Para o Dr. Pedro Andrade, pesquisador e doutorando na USP e fundador do Instituto Genoma, o tema reflete uma mudança importante na forma de encarar a prevenção.

“A lipoproteína(a) amplia nossa compreensão sobre risco cardiovascular. Ela mostra que, em muitos casos, os fatores tradicionais não contam toda a história”, explica.

Diferentemente de outros marcadores metabólicos, a Lp(a) possui forte determinação genética, permanecendo relativamente estável ao longo da vida. Por muitos anos, isso levou à percepção de que pouco poderia ser feito diante de níveis elevados. Hoje, essa visão vem sendo revista.

“Ter a lipoproteína(a) elevada não é um veredito. É um convite à consciência. Um ponto de atenção que permite decisões mais precoces, acompanhamento mais próximo e uma abordagem verdadeiramente personalizada”, afirma o especialista.

A medicina contemporânea tem caminhado justamente nessa direção: menos reativa e mais preventiva. Nesse contexto, compreender o próprio perfil biológico deixa de ser apenas informação e passa a ser uma ferramenta estratégica de cuidado.

Para o médico, o maior risco nem sempre está no marcador isolado, mas na ausência de contexto clínico adequado.

“Um exame, sozinho, não define o destino de ninguém. Ele ajuda a orientar caminhos. Quando interpretados de forma integrada, os dados permitem intervenções mais precisas e, muitas vezes, mais eficazes”, pontua Dr. Pedro Andrade.

Esse olhar amplia o conceito de saúde, que deixa de ser apenas ausência de doença e passa a representar uma construção contínua, baseada em escolhas, ambiente e monitoramento consciente.

Mais do que gerar alarme, a identificação de fatores como a Lp(a) elevada pode funcionar como um ponto de partida.

“Cuidar da saúde não é reagir à doença. É responder aos sinais antes que ela precise se manifestar de forma mais silenciosa e profunda”, conclui.

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