Brasil, senta que lá vem memória afetiva com urna eletrônica. Eu lembro como se fosse ontem, Mara Maravilha largando o palco infantil, se dedicando ao mundo gospel , com direito até gravadora. Nos anos 2010, ela apareceu na TV pedindo voto para o então marido Alessander Barreira Vigna, o Dr. Vigna, apresentado como esposo, médico e servo de Deus. Tudo junto, tudo misturado, com Bíblia no colo e nostalgia no olhar.
A ideia era simples e ousada, tipo reality que promete barraco e entrega VT morno. Usar o recall da apresentadora evangélica para jogar um desconhecido direto em Brasília. Mara falava com a intimidade de quem chama o público de meu bem e amor, vendendo o pacote completo de fé, casamento e lembrança de infância feliz. Eu juro que parecia piloto de série política em horário nobre.
Só que a urna não se comoveu. O milagre não desceu. Dr. Vigna entrou candidato a deputado federal em São Paulo e saiu como figurante da apuração, enquanto o voto de protesto ia todo para personagens maiores que a vida, tipo Tiririca. Teve jingle, teve gravação, teve casamento em close. Teve voto? Quase nada. Um resultado que não assusta nem síndico de prédio.
E aí, meu amor, entra o fantasma que adora reaparecer quando o assunto é ambição política. Anos depois, Mara admitiu publicamente arrependimento com o segundo casamento, exatamente aquele período do Dr. Vigna. Quando ela diz que se arrepende, eu escuto o eco da campanha. Não foi só o relacionamento que não deu certo, foi o pacote inteiro, com direito a santinho e promessa de Brasília.
Agora, quando Mara circula por atos em Brasília, alinhada ao bolsonarismo e deixando escapar o desejo de disputar o Senado por São Paulo em 2026, o passado bate à porta de salto alto. O teste já foi feito e o público não respondeu. Se nem a versão casal conseguiu converter devoção em voto, a pergunta que o algoritmo faz de madrugada é cruel e simples. Por que agora daria certo em carreira solo?
Eu olho essa trajetória como novela que insiste em nova temporada. A menina da TV infantil virou cantora gospel, virou cabo eleitoral de marido aspirante e agora tenta o papel principal da própria campanha. O episódio Dr. Vigna fica ali, como piloto rejeitado. Audiência baixa, roteiro confuso e protagonista jurando que aprendeu com os erros. Aprendeu? O eleitor decide. Eu só observo, com gloss, lupa e memória afiada.