Sem programa na televisão após deixar a Rede Gospel, Mara volta a mirar Xuxa Meneghel e encontra na política um novo capítulo para uma insistência pública que atravessa décadas
Mara Maravilha está sem programa na televisão.
E o silêncio, para quem viveu de plateia, deve fazer um barulho danado.

Ela deixou a Rede Gospel em setembro, encerrando três anos à frente do Programa Maravilha. Existem projetos anunciados para o futuro, mas, neste momento, Mara não tem um programa regular no ar.
Tem Xuxa.
Xuxa Meneghel talvez seja o programa mais longevo da carreira recente de Mara. Não tem cenário. Não tem diretor. Não tem intervalo comercial. Basta abrir o Instagram.

Nesta quinta-feira (1º), Mara voltou a atacar a apresentadora. Compartilhou uma publicação com a frase “Procura-se Xuxa para opinar sobre falas do Lula” e acrescentou três acusações: “hipocrisia”, “oportunismo” e “covardia”. Depois, foi ainda mais direta: “Covardia é o nome dela! Responde, covarde”.
A eleição ofereceu assunto novo.
O alvo é antigo.
Mara tem o direito de discordar politicamente de Xuxa. O que chama atenção aqui não é a discordância. É a insistência.
Porque Xuxa continua aparecendo.
Quando é música, aparece Xuxa.
Quando é televisão, aparece Xuxa.
Quando é turnê, aparece Xuxa.
Agora, quando é política, adivinhe.
Xuxa.
É quase uma dependência editorial.

Em agosto, Mara já havia conseguido espaço na imprensa depois de atacar Xuxa durante a turnê O Último Voo da Nave. Criticou figurinos, ironizou a capacidade vocal da apresentadora e alimentou uma troca pública de provocações. Xuxa respondeu falando em gente tentando “pegar carona na nave”.
A frase acertou num ponto sensível dessa história.
Porque Mara teve carreira. E teve uma carreira relevante.
Teve Show Maravilha, discos, público infantil, fase gospel, SBT, reality show e televisão.
Não é necessário apagar o passado de Mara para enxergar o presente.
O passado tinha palco.
O presente tem stories.
E stories desaparecem em 24 horas. Talvez por isso seja necessário fazer tanto barulho.
Seria irresponsável afirmar, sem evidências, que Mara ataca Xuxa diretamente para ganhar dinheiro. O que é possível observar é outra moeda igualmente importante para quem vive de imagem pública: repercussão.
Mara fala de Xuxa e vira assunto.
Xuxa entrega aquilo que nenhum algoritmo garante: atenção instantânea.
É uma espécie de previdência da celebridade.
Quando a repercussão aperta, saca-se um pouco de Xuxa.
Agora surgiu um ingrediente especialmente eficiente: política.
Política produz engajamento. Produz torcida. Produz indignação. Produz compartilhamento. E transforma qualquer story numa pequena trincheira.
Mara encontrou a combinação perfeita.
Xuxa mais eleição.
Difícil passar despercebida.
Durante décadas, tentaram vender Mara e Xuxa como rivais. O tempo resolveu a comparação.
Xuxa virou Xuxa.
Mara continua falando de Xuxa.
Essa talvez seja a parte mais incômoda dessa história. Não é mais necessário fabricar uma disputa entre duas apresentadoras como se ambas ainda corressem pela mesma audiência infantil numa manhã de 1989.
A televisão acabou com essa comparação há muito tempo.
Hoje existe outra dinâmica.
Xuxa não precisa mencionar Mara para continuar sendo notícia, movimentar público ou ocupar espaço na cultura popular. Mara, por sua vez, continua escolhendo Xuxa como personagem recorrente de seu próprio discurso público.
Não é mais rivalidade.
Rivalidade pressupõe reciprocidade.
A televisão mudou. O mercado mudou. As crianças cresceram. Os discos sumiram das lojas. O algoritmo tomou conta.
Mara ainda sabe onde fica o interruptor da repercussão.

Está escrito nele:
Xuxa Meneghel.