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Kátia Flávia
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Manzar Feres dá recado ao mercado e crava: a Copa foi da Globo

A diretora geral de Negócios da Globo publicou o balanço comercial da Copa 2026 com números de arrepiar e a lista completa dos patrocinadores. O texto tem cara de comemoração, mas quem entende de bastidor sabe que aquilo ali é aviso de guerra.

Kátia Flávia

28/07/2026 13h45

Manzar Feres apresentou o balanço comercial da Copa 2026 e destacou os resultados da Globo. (Foto: Globo / Daniela Toviansky)

Manzar Feres apresentou o balanço comercial da Copa 2026 e destacou os resultados da Globo. (Foto: Globo / Daniela Toviansky)

Eu estava na costureira, aquela mulher santa que ajusta o que a genética não ajustou, resolvendo as últimas peças da mala, porque este ano eu vou passar uma temporada em Ibiza e não pretendo pisar naquela ilha com bainha torta. Alfinete na boca dela, taça de espumante na minha, quando o telefone tocou. Era um amigo meu de agência, criatura que sabe o valor da cota antes do cliente ler a proposta, e ele foi direto ao ponto: “sai de cima do banquinho e abre o LinkedIn“. Abri. E a costureira que me perdoe, porque eu me mexi.

Manzar Feres, diretora geral de Negócios da Globo, a mulher que decide quem entra e quem fica de fora do comercial da casa, publicou o balanço da Copa como quem posta o álbum do casamento com a lista de convidados aberta, para ninguém ter dúvida sobre quem esteve na festa. São 143 milhões de brasileiros alcançados, número que ela mesma traduziu como três vezes a população da Espanha, numa alfinetada involuntária que ficou ótima considerando que foram justamente os espanhóis que levantaram a taça em cima da Argentina. Foram 6,8 bilhões de views em redes sociais e na GETV com o projeto Convocados, que mobilizou mais de dois mil influenciadores, além do tal Torcida Verde Amarela, que costurou TV, streaming e digital num pacote comercial só. E então vem o dado que fez a Faria Lima engasgar no café: 75% dos consumidores associaram as marcas patrocinadoras da Copa à Globo.

Esse 75% é o verdadeiro recado, meus amores, e vou traduzir para quem chegou agora. Alcance qualquer emissora compra, basta ter antena e paciência. O que a Globo vendeu ali foi o efeito halo, aquela mágica em que o anunciante encosta na emissora e sai do jogo parecendo patrocinador oficial da FIFA sem ter pago nada para a FIFA. É o mesmo princípio da madrinha que aparece em todas as fotos do casamento até o convidado esquecer quem era a noiva. Esse slide vai abrir todas as reuniões comerciais dos próximos doze meses, e a Manzar sabe exatamente disso.

Agora a lista de convidados, que é onde a fofoca de verdade se esconde. Ademicon, Amazon, Ambev, Apple, BYD, Cacau Show, Caixa, Claro, Coca-Cola, EA Sports, Itaipava, Havan, Itaú, JBS, Lilly, Localiza, McCain, Medley, OpenAI, Shopee, Stihl, Suvinil, Unilever, XP e Zé Delivery. A OpenAI sentada na mesma mesa que o Cacau Show é o retrato do Brasil de 2026 numa linha só. E reparem no naipe das casas de aposta: BetMGM, Betano, Superbet e HiperCap, quatro cadeiras numa mesa que há dois anos ninguém queria admitir que existia. A televisão aberta brasileira hoje é sustentada por inteligência artificial, cerveja, banco e bet, e não necessariamente nessa ordem de carinho com o Congresso.

Falta o contexto que o post educadamente não escreveu, e é por isso que eu existo. Esta Copa foi repartida em três: a Globo exibiu metade dos jogos, o SBT ficou com a despedida do Galvão e a CazéTV, do Casimiro, cravou mais de 20 milhões de dispositivos conectados na final, uma das maiores lives da história do YouTube. Ou seja, o balanço tem endereço, tem remetente e tem destinatário. É recado para anunciante que titubeou, para investidor que anda cético e principalmente para o vizinho do YouTube que insiste em vender atenção mais barato. E a próxima temporada já está escalada: em 2027 vem a Copa do Mundo Feminina com o Brasil de país-sede pela primeira vez, cota nova, narrativa nova e uma fila de marcas querendo saber se o efeito halo também funciona no feminino. Anotem o nome da Manzar, porque essa disputa começa muito antes do apito inicial.

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