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Kátia Flávia
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Manuela Goldflus troca novela por passarela e surge afinada com a madrasta

Filha de Gabriela Duarte e neta de Regina Duarte, a jovem de 19 anos decidiu sair da trilha óbvia da família e apostar na moda. Um clique raro ao lado da madrasta, em noite de musical, ainda deu combustível para o público farejar a dinâmica dessa família bem resolvida

Kátia Flávia

15/04/2026 15h30

Manuela Goldflus troca novela por passarela e surge afinada com a madrasta | Reprodução: Instagram

Manuela Goldflus troca novela por passarela e surge afinada com a madrasta | Reprodução: Instagram

Eu estou aqui no Sul da Itália , numa saída gloriosa de teatro, cercada por gente que acha que aplauso também é acessório, quando me chega o nome de Manuela Goldflus com aquele perfume de virada de rota. Filha de Gabriela Duarte, neta de Regina Duarte, a menina resolveu fazer o que pouca herdeira de clã artístico consegue sem trauma público, pular fora da esteira da dramaturgia antes que a máquina começasse a engolir. Aos 19 anos, trocou a expectativa de novela por trabalhos como modelo e planos de faculdade. Eu, que adoro uma ruptura elegante, prestei atenção na hora.

O fato principal é simples, mas tem boas camadas. Manuela decidiu abandonar a carreira de atriz e seguir por outro caminho profissional, investindo na moda e numa vida menos amarrada ao sobrenome televisivo. A mudança foi escancarada numa noite de musical, quando ela apareceu para prestigiar a madrasta ao lado do pai, num registro raro e muito eloquente. O clique chamou atenção porque entregou uma imagem de convivência leve, dessas que o público brasileiro ainda observa como se estivesse vendo um milagre doméstico ao vivo.

No bastidor digital, esse tipo de aparição vale mais do que muita entrevista treinada. Manuela é discreta, aparece pouco, mas quando aparece vem com imagem bem pensada, ensaio profissional, praia, look urbano, pose de quem sabe que está saindo da categoria “filha de famosa” para tentar ocupar o próprio espaço. E a foto com a madrasta funciona como selo visual de paz civil, porque família recomposta, no imaginário nacional, ainda é tratada como episódio especial de série. Quando surge um registro harmônico, o feed vibra, comenta, projeta, romantiza e já começa a montar a árvore genealógica emocional inteira.

A parte mais interessante dessa história está justamente no que ela recusa. Manuela nasceu com dois pesos simbólicos no colo, o da linhagem e o da comparação automática. Em famílias artísticas, todo mundo jura que a escolha é livre, mas o corredor já vem iluminado, com marca no chão e câmera apontada. Ao preferir a moda e a universidade, ela mexe com uma fantasia antiga do público, a de que talento e sobrenome precisam obedecer ao mesmo roteiro. Às vezes a verdadeira ousadia da herdeira nem é estrear, é sair de cena antes do elenco bater palma.

Gabriela, pelo que já deixou transparecer, pareceu até aliviada com a decisão da filha, e eu entendo perfeitamente. Fama herdada pode render convite, mas também cobra aluguel emocional altíssimo. Minha leitura é que Manuela está tentando fazer uma coisa rara com bastante inteligência, usar o sobrenome como porta e não como cela. E isso, convenhamos, já é mais adulto do que muita gente de 40 que ainda vive interpretando papel para a plateia da família.

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