A atriz e apresentadora Fernanda Lima compartilhou com seus seguidores nas redes sociais as mudanças na própria pele, que estão ligadas aos sinais de envelhecimento. Em tom bem humorado, a famosa questionou: “O que é isso? Estou em decomposição? Ai, para. Eu achei que ia envelhecer numa boa, mas onde é que isso vai parar, minha gente? Eu sei onde vai parar, mas eu não quero que pare, não”.
Diante do relato da apresentadora, conversamos com a dermatologista Dra. Mariana Flessak, fellowship no setor de melanoma e lesões pigmentadas pelo Hospital Clínic de Barcelona na Espanha, sobre as manchas que surgem na pele diante do envelhecimento. “O aparecimento de algumas manchas ao longo da vida é relativamente comum e faz parte do processo de envelhecimento cutâneo, principalmente em pessoas que tiveram maior exposição solar”.

“Com o tempo, ocorre um acúmulo de danos causados pela radiação ultravioleta, que altera o funcionamento dos melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele.Isso pode levar ao surgimento de manchas, alterações de textura e perda de uniformidade do tom da pele. No entanto, embora seja esperado que a pele mude com a idade, hoje sabemos que grande parte dessas alterações pode ser prevenida, tratada ou suavizada com acompanhamento dermatológico adequado”, explica a dermatologista.
A Dra. Mariana explica que há diferença entre manchas causadas pelo sol ao longo da vida e aquelas relacionadas a alterações hormonais. “Existe uma diferença importante. As manchas relacionadas ao fotoenvelhecimento são resultado da exposição solar acumulada ao longo da vida e costumam surgir em áreas cronicamente expostas, como rosto, colo, braços e mãos”.
“Já as manchas de origem hormonal, como o melasma, estão associadas a alterações hormonais, predisposição genética e exposição à luz solar e à luz visível. Elas tendem a apresentar um padrão mais difuso e simétrico, principalmente na região central da face. Embora as causas sejam diferentes, em ambos os casos o sol atua como um fator desencadeante importante”, completou.

De acordo com a dermatologista, os tipos mais comuns de manchas que aparecem após os 40 anos são mais frequentes nas lentigos solares (popularmente chamadas de manchas senis), que aparecem principalmente em áreas expostas ao sol. “Assim como a leucodermia gutata, que são pequenas manchas esbranquiçadas muito comuns em antebraços e pernas. Em alguns casos, manchas podem também representar lesões que merecem avaliação cuidadosa para descartar câncer de pele”, alerta a Dra. Mariana.
No relato de Fernanda Lima, as áreas como braços e colo são as que concentram mais as manchas, de acordo com a dermatologista essas regiões estão entre as áreas do corpo que recebem exposição solar crônica ao longo da vida e muitas vezes não recebem o mesmo cuidado que o rosto em relação à fotoproteção.
“Além disso, a pele do colo, por exemplo, é mais fina e possui menor quantidade de glândulas sebáceas, o que a torna mais vulnerável ao fotoenvelhecimento. Com o passar dos anos, o dano acumulado pela radiação ultravioleta pode se manifestar com manchas, perda de elasticidade e alterações na textura da pele”, destacou a Dra. Mariana.
A médica alerta um ponto importante: nem toda mancha é apenas estética. “Algumas alterações pigmentares podem representar sinais iniciais de câncer de pele, especialmente em um país como o Brasil, que possui altos índices de incidência da doença. Por isso, além da preocupação estética, a avaliação dermatológica tem um papel essencial na prevenção e no diagnóstico precoce, que é o fator mais importante para o sucesso do tratamento”.
A dermatologista reforça que a prevenção é a melhor forma de tratar as manchas. “De modo geral, recomenda-se que adultos façam uma avaliação dermatológica anual, principalmente para rastreamento de câncer de pele e acompanhamento de alterações pigmentares. Pacientes com histórico familiar de câncer de pele, múltiplas pintas ou pele muito clara podem necessitar de avaliações mais frequentes. Exames como o mapeamento corporal total com dermatoscopia digital permitem acompanhar lesões ao longo do tempo e identificar alterações precocemente, o que aumenta significativamente as chances do diagnóstico precoce e tratamento eficaz”.
Outro ponto de destaque é que a prevenção de manchas pode ocorrer após os 40 anos. “A prevenção continua sendo eficaz em qualquer fase da vida. O uso diário de fotoproteção adequada, incluindo protetor solar de amplo espectro e, quando indicado, proteção contra luz visível, é fundamental”.
“Além disso, cuidados dermatológicos personalizados, uso de dermocosméticos específicos e procedimentos médicos podem ajudar tanto na prevenção quanto na melhora de manchas já existentes. Hoje dispomos de diversas tecnologias e abordagens terapêuticas que permitem tratar a pele de forma segura e progressiva”, afirmou a médica.
A Dra. Mariana finaliza deixando um aviso para os pacientes que se incomodam com manchas, mas têm receio de procedimentos. “É muito comum que pacientes tenham receio, mas é importante lembrar que o tratamento das manchas não se resume a procedimentos agressivos. Muitas vezes começamos com estratégias progressivas e personalizadas, que podem incluir cuidados tópicos, ajustes na rotina de skincare e tecnologias dermatológicas seguras. O mais importante é uma avaliação individualizada. Cada pele tem uma história e um plano de tratamento bem indicado pode trazer resultados naturais, respeitando a saúde da pele”, concluiu.