Eu não tenho estrutura emocional para o que aconteceu no Domingão com Huck. Estava tudo caminhando para mais um domingo de emoção controlada, até Maiara abrir a boca e abrir também o coração de uma forma que derrubou delineador, público e minha sanidade.
A dupla Maiara & Maraisa entrou no quadro “Quem Vem Para Cantar?” achando que ia viver um momento bonito. Bonito ficou, mas virou outra coisa quando o convidado oculto surgiu e era ninguém menos que Junior Lima. Meu amor, ali acabou qualquer tentativa de compostura.
Maiara começou a falar e eu já senti aquele clima de confissão que não dá para segurar. Ela contou que era fã obcecada desde criança, fã de carteirinha, daquelas que tinham DVD, sabiam coreografia, assistiam todos os shows e achavam que aquilo ali era o auge do amor possível. Eu vi muita gente assim nos anos 90 e confesso, entendo perfeitamente.
O choro veio forte, sem ensaio, sem freio e com aquela sinceridade que não se fabrica. Maiara falou da admiração, da paixão platônica, da infância moldada por músicas e por um ídolo que agora estava ali, do lado dela, segurando o microfone e tentando processar tudo. Junior, visivelmente emocionado, soltou a frase que selou o momento. Ele disse que não fazia ideia dessa história. Eu tive que respirar fundo.
E aí veio o golpe final. Maiara cantou “A Lenda” ao lado de Junior. Sim, meu bem, ela viveu o sonho da Sandy por um dia, realizou o delírio coletivo de uma geração inteira e ainda avisou, aos 38 anos, que estava realizando mais um sonho. Eu gritei sozinha na sala, assumo.
Isso não foi só um dueto. Foi acerto de contas com a própria infância, foi fã encontrando ídolo, foi passado batendo à porta com microfone aberto e câmera ligada. Se isso não é roteiro de série cara, eu não sei mais o que é.