Hoje é sábado, dia de Shakira no Brasil, e a minha madrugada no Cosme Velho não teve descanso. O telefone começou a tocar ainda de madrugada e não parou mais: enquanto todo mundo deveria estar dormindo animado com o show da colombiana, o que invadiu a noite foram os detalhes de uma história dentro de um hospital de Brasília que, quanto mais eu apurava, mais pesada ficava. Ainda em jejum, com os contatos fervilhando, é essa notícia que eu trago primeiro.
Magno Malta estava internado no Hospital DF Star há dois dias por mal súbito com suspeita de Acidente Isquêmico Transitório e histórico de câncer com comprometimento da medula óssea. Na quinta, foi ao Congresso para a sessão que derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, passou mal ao chegar e voltou para o hospital. Foi durante um exame de angiotomografia que a técnica de enfermagem diz ter sido agredida: segundo o boletim de ocorrência registrado na PCDF, Malta teria se levantado quando ela se aproximou para ajudá-lo e desferido um tapa forte no rosto dela, entortando seus óculos. Ela relata ainda ter sido chamada de “imunda” e “incompetente”.
A defesa do senador chegou com versão oposta. Em nota, os advogados afirmaram que Malta estava sob forte medicação, com cognição afetada e em dor intensa por extravasamento de contraste no braço direito, com trombose e hematoma de elevada gravidade clínica. A assessoria classificou o relato da profissional como “narrativa forjada” para se proteger de suposto erro técnico. Malta, que inicialmente mencionou “falha técnica” da profissional, depois negou qualquer agressão física ou verbal. A defesa anunciou que analisa ação por danos morais, notícia-crime e representação no Coren-DF.
O hospital abriu apuração administrativa e informou publicamente que vem dando suporte à colaboradora. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal repudiou o caso e se colocou à disposição da profissional, lembrando que nenhuma condição ou posição autoriza agressão. São duas versões, um boletim de ocorrência registrado formalmente e uma investigação em andamento. O que não sai da minha cabeça é a imagem dos óculos tortos no rosto de uma mulher que foi ao trabalho para cuidar de alguém.
Meus contatos em Brasília me dizem que o clima dentro do hospital ficou muito tenso depois do episódio. A apuração policial corre em paralelo à investigação administrativa, e a defesa de Malta já sinalizou confronto jurídico. A Kátia que vos fala acompanha com atenção e torce para que a verdade apareça com a mesma velocidade com que essa história invadiu a minha madrugada.