Henrique Fogaça defendeu a liberação da cannabis para fins medicinais e pediu mais informação sobre o tema. Jurado do MasterChef e dono de restaurantes como Sal Gastronomia, Cão Véio e Jamile, o chef afirmou que o preconceito ainda atrapalha o acesso de pacientes que poderiam ter melhora na qualidade de vida com o tratamento.
Eu estava tentando transformar minha sala em camarote da Seleção, com tábua de frios, vinho e Aurora fantasiada de mascote oficial, quando apareceu Fogaça falando de maconha medicinal com aquela seriedade de quem sabe que o assunto ainda assusta muita gente. Dei uma pausa no queijo, porque tem pauta que chega com cara de polêmica, mas, quando você olha direito, é saúde, família e informação.

“Acho que a primeira grande mudança precisa acontecer na informação”, afirmou Fogaça em entrevista. Para ele, muita gente ainda confunde cannabis medicinal com outros temas e cria julgamento sem conhecer a realidade de pacientes e famílias que dependem desse tipo de tratamento.
“Ainda existe muito preconceito porque muita gente não entende o que é cannabis medicinal de fato. As pessoas confundem temas diferentes, criam julgamentos sem conhecer a realidade de pacientes e famílias que dependem desse tratamento para ter qualidade de vida”, disse.
O chef também destacou que o alto custo e a burocracia afastam famílias que poderiam se beneficiar da cannabis medicinal. “Informar de forma séria, responsável e acessível é essencial. Outro ponto é facilitar o acesso. Hoje ainda existe muita burocracia e um custo alto, o que acaba afastando milhares de pessoas de um tratamento que pode realmente ajudar. E pessoas sem condições financeiras para bancar essa alternativa”, alertou.
Fogaça falou com base em uma experiência dentro da própria casa. Sua filha Olívia, de 19 anos, foi diagnosticada com uma síndrome rara ainda na infância e, segundo ele, teve melhora na qualidade de vida com o uso da cannabis medicinal.

“Eu vivi isso dentro da minha família e sei o impacto que o tratamento pode ter na vida das pessoas. Por isso, hoje sinto também uma responsabilidade de usar a minha voz para ampliar essa conversa e ajudar a quebrar preconceitos que ainda existem em torno do tema”, explicou.
O assunto ainda enfrenta resistência no Brasil, mas vem ganhando espaço justamente por relatos de famílias que buscaram a substância como alternativa terapêutica em casos específicos, sempre com acompanhamento médico. Para Fogaça, o debate precisa sair do grito e entrar no campo da informação.
E, vamos falar claro: chamar de maconha faz muita gente arregalar o olho, mas fingir que o nome assusta mais do que a dor de quem precisa de tratamento é preguiça travestida de moral. Fogaça trouxe o tema para a mesa sem firula, com a vivência de pai e a urgência de quem sabe que, para algumas famílias, acesso não é debate de internet. É qualidade de vida.