Gente, eu estava na academia quando ouvi Mônica Bergamo na BandNews FM e quase fui parar dentro do aparelho. Como assim podemos atravessar uma eleição presidencial inteira sem ver Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente num debate no primeiro turno? Pois é. Essa agora é a possibilidade concreta.
Mônica contou que confirmou nas últimas horas com integrantes da campanha de Lula que a tendência é o presidente não participar de nenhum dos debates marcados. Oficialmente, ainda deixam uma portinha aberta para o último encontro do primeiro turno, promovido pela Globo. Mas a informação obtida pela jornalista é que o mais provável é Lula nem aparecer nesse.

E Flávio? Pegou a senha e entrou na mesma fila. O candidato do PL decidiu participar de debates somente se Lula estiver presente. Na prática, se a estratégia dos dois for mantida, os dois principais adversários podem chegar ao segundo turno sem terem se enfrentado uma única vez num debate.
A conta eleitoral existe. Segundo Bergamo, uma das razões é evitar dar palco aos candidatos com percentuais menores e correr riscos numa disputa apertada. Só que eleição presidencial não é camarote VIP para escolher quem merece dividir a mesa. Debate serve justamente para colocar propostas, contradições e candidatos uns diante dos outros.

E Mônica resumiu o problema muito bem: entrevista não substitui debate. Jornalista pode apertar, investigar e apontar contradição. Só não pode virar candidato e apresentar um projeto alternativo de país. Saí da esteira com uma certeza: Lula e Flávio podem até calcular que ganham ficando fora. Quem perde esse debate é o eleitor.