Eu, Kátia Flávia, adoro uma mudança de bastidor que parece discreta, mas mexe com tudo por dentro. A Globo anunciou que Luiz Henrique Rios vai assumir a Direção de Talentos dos Estúdios Globo a partir de maio, assim que encerrar seu trabalho na novela Três Graças. Traduzindo para o português da fofoca elegante, muda o nome da porta, muda quem entra, muda quem fica de fora.
Luiz Henrique Rios não é qualquer um. São 44 anos de profissão, 35 deles dentro da Globo, uma carreira construída com calma, olhar técnico e fama de quem conhece gente, comportamento e bastidor como poucos. Começou lá atrás, em Quatro por Quatro, em 1994, e depois assinou títulos que todo mundo na emissora respeita, como Totalmente Demais, Bom Sucesso, Pega Pega, Além da Ilusão e Terra e Paixão.
Agora o jogo muda. No novo cargo, Rios passa a atuar diretamente na pesquisa, formação, escalação, relacionamento e gestão de autores, redatores, atores, apresentadores, diretores e assistentes. É muito mais poder do que parece no release. É ele quem ajuda a decidir quem cresce, quem gira, quem some e quem volta com status de aposta.
O detalhe que eu, claro, não ignoro. Ele é formado em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia. Isso significa alguém olhando talento não só pelo Ibope, mas pelo comportamento, discurso e leitura de mundo. Nos corredores, isso já é comentado como uma virada mais analítica e menos automática.
Enquanto isso, Bernardo Portugal deixa a função para assumir a direção artística do Caldeirão com Mion, e Fernanda Rondinelli responde interinamente pela área até o fim de Três Graças. Movimento organizado, sem escândalo, mas com impacto real. Daqueles que não rendem barraco imediato, mas definem os próximos anos da dramaturgia.
Anota aí. Direção de Talentos não aparece na tela, mas decide muita coisa que você vai assistir. E Luiz Henrique Rios acaba de ganhar a caneta que todo mundo observa em silêncio, com um olho no crachá e outro no futuro.