Eu estava rodando aqui no Shopping RioSul , sacola cheia de fofoca boa, quando dei de cara com essa movimentação e pensei. Atenção, meu bem. Luiz Caldas resolveu aprontar outra vez. E aprontou com pedigree.
Sai hoje “Piscadinha”, música nova, cheirando a Carnaval, feita para rua, trio elétrico e gente suada cantando junto. A composição é de ninguém menos que Roberta Miranda, guardada por anos na gaveta, esperando o intérprete certo. Achou. E achou bonito.
Luiz Caldas, que eu chamo de Pai do Axé e tio querido da ousadia musical, assumiu que estava com saudade de gravar algo com essa pegada. Música dançante, direta, pensada para Salvador ferver. Daquelas que você escuta uma vez e já imagina o povo pulando atrás do trio, apontando dedo, rindo e piscando de volta.

A história da canção é daquelas que a gente gosta. Roberta compôs “Piscadinha” há cerca de dez anos, sonhando em ouvir a música no Carnaval da Bahia. O encontro dos dois selou esse desejo antigo. Tem afeto, admiração mútua e aquele respeito entre artistas que sabem exatamente o tamanho um do outro.
Na letra, nada de exagero apelativo. O charme está no gesto pequeno, no piscar de olho, no flerte que não grita. Em tempos de tudo escancarado, Luiz e Roberta apostam na sutileza e acertam em cheio. Fica leve, elegante e atravessa gerações sem pedir licença.

Musicalmente, Luiz segue fiel ao Axé como ele sempre defendeu. Mistura de ritmos, energia alta, alma presente. Ele mesmo diz que escolhe a dedo o que canta e conversa diretamente com quem escuta. Dá pra sentir isso em “Piscadinha”. A música nasce com intenção clara e sem pose.
O lançamento chega numa semana simbólica para o artista, que completou 63 anos recentemente, pleno, criativo e com fome de Carnaval. “Piscadinha” já está disponível nas plataformas e vem com aquele selo invisível que eu reconheço de longe. Música que pega rápido, roda fácil e promete virar figurinha repetida na folia.
Eu já avisei. Carnaval gosta de hit com história. E essa aqui vem com passado, encontro e muito suingue pra gastar.