Estava aqui em Bari, com um espresso na mão e o sol do Adriático me aquecendo a alma, quando meu celular explodiu de mensagem sobre o que rolou no deserto da Califórnia neste sábado. Luísa Sonza não voltou ao palco Gobi do Coachella só para repetir a dose, não, minha gente. Ela voltou com convite do YouTube para transmissão global, setlist novo e uma declaração de intenção que qualquer empresária da música pagaria caro para fazer.
A segunda apresentação aconteceu no dia 18 de abril, com um repertório diferente da primeira passagem pelo festival. Faixas como “Modo Turbo”, “Campo de Morango”, “Sentadona”, “Anaconda”, “Luísa Manequim”, “Sagrado Profano” e “Dona Aranha” foram as escolhidas para conectar diretamente com o público internacional, e a plateia recebeu tudo com aquela euforia que a gente só vê quando o artista acerta o timing certo. O encerramento com “Telefone” levou o Gobi ao limite.

No bastidor digital, o movimento foi silenc… perdão, foi barulhento da melhor forma: o canal oficial do YouTube transmitindo em tempo real significa números que vão aparecer nos relatórios da plataforma por semanas. Nada de story, nada de live improvisada. Parceria institucional, com toda a formalidade que o mercado gringo respeita.
Mas o detalhe que eu não deixo passar é a banda. Formada exclusivamente por mulheres, com Juliana Vieira na guitarra, Nico na bateria, Silvanny Rodrigues na percussão, Beatriz Barbosa no baixo e Tami Silveira nos teclados, essa formação não é acidente estético. É a Luísa usando um dos maiores festivais do mundo para colocar musicistas femininas em evidência num mercado onde elas ainda são minoria nas funções instrumentais. Brutal Paraíso Tour traduzido em ato político sem precisar dar nenhuma entrevista sobre feminismo.
Kátia registra, com o Mediterrâneo como testemunha, que Luísa Sonza saiu do Coachella 2025 não como artista que “passou pelo festival”, mas como nome integrado a uma estratégia de distribuição global em tempo real. O mercado fonográfico brasileiro tem muito a aprender com essa menina, e o YouTube já sabe disso antes da maioria.