Estava aqui em Milão, saindo para caminhar como qualquer pessoa normal, quando me mandaram o trecho do PodDelas com a Luísa Sonza dizendo que não consegue mais fazer isso. Sair. Andar na rua. Sentar num restaurante sem entrar em pânico ao escutar o próprio nome.
A declaração é simples e pesada ao mesmo tempo. Luísa disse que criou uma rede de apoio grande justamente porque a rua virou um lugar de ansiedade real. Não é medo de assalto, não é medo de violência física. É medo da frase que vem depois do próprio nome. Do que a pessoa que reconheceu vai falar, do tom que vai usar, do olhar que vai disparar. Quem nunca passou por cancelamento pode achar exagero. Quem sabe o que é ter a internet inteira organizando ódio contra você por meses entende muito bem.
E aqui eu preciso falar do elefante na sala, que tem nome e sobrenome: Whindersson Nunes. O término em 2020 foi o estopim de tudo. Na época, a internet decidiu que Luísa tinha traído, que ela era vilã, que merecia o que viesse. Whindersson ficou em silêncio por um tempo que foi longo o suficiente para a máquina do ódio trabalhar sem obstáculo. Quando ele finalmente negou a traição, o estrago já tinha sido feito com capricho. A Luísa ficou com o trauma e ele ficou com a narrativa de coitado. Anos depois, ela ainda não consegue sentar numa mesa de restaurante sem monitorar o ambiente.
O que o trecho do podcast mostra, e que merece ser lido com atenção, é que cancelamento tem custo psicológico real e duradouro. Luísa Sonza não está reclamando de hater anônimo. Ela está descrevendo um transtorno de ansiedade social construído tijolo a tijolo por anos de exposição organizada ao ódio público. A cantora está no auge da carreira, com hits, prêmios e palcos cheios, e ainda assim a calçada virou território de risco na cabeça dela.
Isso não é frescura de famosa. É o retrato de uma geração de artistas que cresceu sendo consumida pela mesma internet que a consagrou.
Confira aqui a entrevista completa: