Estava num jantar aqui em Milão com uma amiga do meio musical quando o celular começou a vibrar no bolso. Uma fonte do audiovisual brasileiro, toda eufórica, me ligou só pra gritar: “Kátia, a Ludmilla varreu o Music Video Festival.” Larguei o risoto e fui buscar o contexto.
Na noite desta quarta-feira, Ludmilla conquistou dois prêmios no Music Video Festival. Levou a categoria de visualizer com “Fragmentos”, com direção de Gabe Lima, e o reconhecimento de direção revelação internacional pelo clipe “Whine”, parceria com o cantor nigeriano Asake, com direção de Rafael Carmo. Dois projetos, duas equipes, duas vitórias. O álbum “Fragmentos”, lançado em novembro com 15 faixas navegando entre R&B, funk carioca, samba e pagode, virou referência audiovisual num festival avaliado por júri especializado internacional.

Nas redes, os fãs foram ao delírio antes mesmo do anúncio oficial terminar de circular. O nome de Ludmilla foi parar nos trending topics com aquela energia de quem já sabia e estava esperando o mundo confirmar. Gabe Lima, a diretora do visualizer premiado, foi marcada em centenas de posts, e o clipe “Whine” voltou a circular nos stories de gente do meio que tinha fingido não notar quando saiu.

A leitura aqui é simples e precisa ser dita: Ludmilla construiu “Fragmentos” como projeto artístico completo, com conceito visual desenvolvido junto com a direção desde o início, e o mercado internacional reconheceu isso antes de boa parte da mídia brasileira parar pra olhar com atenção. Ganhar visualizer e direção revelação internacional na mesma noite, com obras diferentes, prova que o álbum tem consistência estética de verdade, e que a equipe criativa ao redor dela está trabalhando num nível que poucos artistas brasileiros atingem hoje.

Duas categorias, uma noite, um álbum que minha fonte jurou que ainda vai render mais prêmio até o fim do ano. Eu anotei. E vou cobrar.
