Acordei com essa notícia atravessada no café. Lucas Lucco vai protagonizar uma novela vertical do Globoplay e, como se não bastasse, divide a cena com Carol Castro. É aquele tipo de escalação que faz a gente levantar a sobrancelha e pensar aqui tem estratégia, aqui tem teste, aqui tem olho grande no público do celular.
Lucas volta à dramaturgia depois de um tempo longe dos folhetins. Já passou por Malhação, Sol Nascente e A Dona do Pedaço, mas agora assume papel central num formato que a Globo trata como laboratório narrativo. Episódios curtos, consumo rápido, história pensada para rolar na vertical e disputar atenção com feed, stories e vídeo curto. Eu chamo de novela de bolso, aquela que cabe na mão e no comentário maldoso do grupo.
Do outro lado entra Carol Castro, veterana de televisão, dessas que sabem segurar cena, virar o jogo e dar credibilidade a qualquer experimento. Ela topa o modelo ágil e empresta lastro dramático para um formato que ainda está se firmando. Não é pouca coisa. Quando atriz experiente aceita, a emissora respira aliviada.
Nos bastidores, a aposta faz sentido. O Globoplay quer nomes conhecidos para puxar audiência e legitimar as novelas verticais, que nasceram como alternativa mais rápida e barata, mas que dão trabalho na pós-produção. Cada plataforma pede ajuste, corte, ritmo próprio. Não é só apertar rec e sair correndo.
E tem mais. A Globo já planeja ampliar esse universo e lançar uma plataforma própria focada em vídeos verticais, internamente chamada de Globopop, para brigar com TikTok e Kwai usando conteúdo original e histórias seriadas. Ou seja, essa novela com Lucas e Carol vem com cara de piloto disfarçado de estreia glamourosa.
Resumo do capítulo de hoje. Cantor vira protagonista, atriz experiente segura a trama, streaming testa formato e a televisão tradicional observa de canto de olho. Eu fico assistindo, comentando e anotando mentalmente, porque toda novela começa assim. Um anúncio, uma aposta e aquele silêncio desconfiado antes do primeiro capítulo ir ao ar.