Estava no carro indo para a academia no Leblon, atrasada, rabo de cavalo, com o personal me esperando em cima e o telefone na mão, quando o vídeo da Luana me parou no meio da Lagoa. Dei play. Fui até o fim. Cheguei na academia quarenta minutos depois.
O contexto é o seguinte: Luana Piovani fez um comentário sobre Virgínia Fonseca que gerou reação, e desta vez ela decidiu não deixar barato. Em vez de responder à Virgínia diretamente, a atriz escolheu um caminho mais elaborado: publicou um vídeo em que explica sua própria trajetória, diz que nunca correu atrás dos holofotes, que recusou contratos longos, que escolheu um caminho diferente do tradicional, e que foi exatamente a curiosidade e a incompreensão do público em torno dessa escolha que a tornaram quem ela é hoje. Resumindo: foram os haters que a fabricaram, e ela os agradece rindo.



O histórico entre as duas tem mais capítulos do que aparenta. Luana e Virgínia representam modelos de carreira feminina que, para um certo segmento do público e da crítica, funcionam como antíteses. A Luana sabe disso, usa isso, e desta vez entregou um discurso que é simultaneamente uma defesa e uma declaração de superioridade cultural embalada em bom humor.
Nas redes, o vídeo rodou com dois leituras paralelas: os que viram uma mulher lúcida explicando as próprias escolhas com elegância, e os que viram alguém gastando cinco minutos para dizer que não liga para a opinião alheia. A Virgínia não se pronunciou. O silêncio dela, dependendo de como você interpreta, é a resposta mais inteligente da conversa.
O discurso da Luana tem coerência interna e até beleza, mas carrega um probleminha clássico: quem realmente não precisa explicar de onde vem o próprio poder, em geral, não explica. E o vídeo mais longo que você grava para dizer que não deve satisfações é, tecnicamente, uma satisfação.
Confira o vídeo: