Estava aqui em Positano quando minha amiga Cláudia me mandou o link da entrevista da Luana Piovani pra maravilhosa Hildegard Angel no TV247, e eu parei tudo. Larguei o café, larguei a vista pro mar, porque essa história não é fofoca, não é babado, não é para rir. Essa história é sobre o que acontecia dentro das maiores emissoras do Brasil quando uma mulher jovem tinha a audácia de dizer não.
Luana estava escalada para o remake de Anjo Mau em 1997 na Globo, fazendo filha de Luiza Brunet. Durante uma reunião com o diretor veterano Carlos Manga, ele a chamou com um gesto e sinalizou o colo. Ela, com a presença de espírito que sempre teve, sentou no braço da cadeira e fez uma piada. Recusou sem fazer escândalo. Dias depois, um telefonema: estava fora da novela. Motivo? Vago. A conta real ela só fechou anos depois, numa conversa com um fotógrafo que apontou o óbvio.
Luana admite que nem levou isso pra terapia na época. Na cabeça dela, naquele tempo, assédio era outra coisa, algo mais explícito, mais físico, mais inegável. O convite velado, a recusa, a punição disfarçada de decisão criativa, isso não tinha nome ainda. Ou melhor, tinha, mas ninguém usava dentro daqueles corredores.
Carlos Manga morreu em 2022. Hildegard Angel, que tem décadas de jornalismo e sabe o peso do que publica, não soltou essa história por acidente. Luana tem cinquenta anos, mora fora do Brasil e não deve carreira nem silêncio a ninguém. Escolheu falar agora, com nome, com detalhe, sem rodeio.
Isso que Luana descreveu é o registro que faltava na história da televisão brasileira. Não é revanche. É memória. E memória, meu povo, é o único arquivo que a Globo não consegue apagar.
Confira a entrevista na íntegra: