Amores, estava devorando um livro babadeiro de minha adorada autora de romances policiais Agatha Christie enquanto aproveitava a brisa do mar do Arpoador que emanava em minha varanda. Eis que meu iPhone começa a vibrar horrores sobre a mesinha que estava minha xícara de cappuccino cremoso, e como a curiosa que sou, resolvi dar aquela espiadinha.
Bem, fiquei perplexa depois de assistir o vídeo de mais de 11 minutos da faraônica e sem papas na língua, Luana Piovani, de 49 anos, denunciando a falta de investimento do governo pernambucano na distribuição de água potável, a precariedade de ensino e a escassez de profissionais que cuidam da saúde mental dos moradores de Fernando de Noronha.
“Eu frequento essa ilha há 32 anos, conheço Noronha há muito tempo e de um jeito muito diferente do que ele se apresenta hoje. A ilha não te oferece água doce. É um lugar maravilhoso, um paraíso, mas quase tudo o que temos aqui vem do continente, assim como a água doce”, iniciou o desabafo.

E seguiu denunciando o turismo predatório: “Em pousadas de moradores, tem aviso para que possamos economizar água doce… e aí você descobre que tem pousada de endinheirados que tem jacuzzi. Gente, aqui na ilha não tem água para os moradores! Água é dignidade”, disparou.
Indignada com a situação dos moradores de Noronha, Piovani cobrou, mais uma vez, ações dos administradores da ilha que possam melhorar a qualidade de vida dos habitantes da região.
“É preciso que alguém raciocine porque não é possível… essa ilha poderia ser um exemplo de sociedade. É uma ilha mínima. A gente poderia ter boas estradas, boas escolas, hospitais bons. Graças a Deus a gente está com uma quantidade de médicos boa aqui na ilha, mas o hospital não tem estrutura”, pontuou.
E alfinetou a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra: “A gente tem que entender que essa ilha precisa de ajuda, viu Raquel? Aliás, eu nem sei quem é o administrador da ilha. Eu sei que Noronha não está sendo bem administrado. Se tá faltando água pra população é porque tem alguém mais preocupado com as pessoas que tem dinheiro na ilha do que os moradores”, reforçou.

Luana Piovani seguiu soltando o verbo sobre o descaso que as mães de Noronha passam e tentam garantir a educação dos filhos.
“Além da falta de água, as crianças dessa ilha não têm recebido a devida atenção dos governadores e administradores daqui. Aqui a escola é precária. A gente precisa de mais estrutura, mais professores… tem muita criança que vai embora daqui porque o nível do ensino não é bom o suficiente e tem 80% das crianças que não conseguem sair da ilha, e aí? O que a gente faz?”, questionou.
E concluiu denunciando a falta de profissionais especializados em saúde mental.
“Também me chamou a atenção o fato de ter apenas um psiquiatra na ilha. Aqui na ilha também temos autistas e quem conhece a vida de uma mãe atípica sabe exatamente os desafios que se encara diariamente. Então, é preciso que haja uma estrutura de saúde mental para todos os moradores da ilha”.