Meu povo, eu juro que eu estava vivendo minha vida, quase derrubando o café no sofá, quando aparece esse frame com a chamada sobre a pré-candidatura do Dado Dolabella. Aí eu vejo a Luana Piovani fazendo aquela pergunta que vem com veneno fino e sorriso de quem já viu esse filme inteiro, “a filiação do agressor”, com emoji de dado, porque a mulher joga a bomba e ainda deixa o efeito especial prontinho.
E é aí que eu paro tudo, porque política no Brasil às vezes tem roteiro que nem série premium aguenta. Você passa anos vendo gente discutir ficha, moral, “exemplo”, “família”, aí do nada surge candidatura, surge pré-candidatura, surge entrevista, surge palanque, e a internet vira um camarote só, cada um gritando de um lado, outro lado fingindo que não ouviu, e o assunto é sempre o mesmo, quem pode, quem não pode, e por que a régua muda conforme o personagem.
A Luana não falou para agradar, falou para cutucar. Ela sabe que esse tipo de movimento aciona gatilho de memória coletiva, porque tem nome que carrega manchete antiga, treta antiga, discussão antiga, e o povo não esquece só porque alguém botou “novo projeto” no currículo. Meu bem, brasileiro pode até perdoar, mas print é eterno, e a web é aquela tia que guarda recibo na gaveta.
E aí vem a parte que me dá vontade de rir com raiva, porque eu olho para o noticiário e penso no tanto de caso real, sério, pesado, que vira novela nacional, gente cobrando justiça, cobrando responsabilidade, cobrando consequência, e ao mesmo tempo a gente vê o sistema criando brecha, criando atalho, criando desculpa. A sensação é de reality show mal editado, você jura que o eliminado saiu, aí ele volta no confessionário com “nova chance” e ainda pede voto.
Eu, Kátia, sou fofoqueira, mas não sou boba. Quando uma figura pública entra nessa pista, ainda mais com histórico polêmico rondando o nome, a pergunta da Luana funciona como aviso de incêndio, “vai mesmo fingir que nada aconteceu?”. E o mais delicioso, no sentido mais trágico possível, é que ela não precisa falar muito. Uma frase, um deboche cirúrgico, e pronto, a conversa vira pauta.
Agora me diz, meu amor, quem vai ter coragem de responder isso sem escorregar? Porque se responder, alimenta. Se não responder, confirma o climão. Eu tive que sentar para processar, e olha que eu já processei cada absurdo em camarote de carnaval, com glitter na alma e descrença no coração. Brasil é esse roteiro, você ri para não gritar, e grita para não aceitar.