Estava saindo da manicure aqui em Niterói , mão ainda no ar para não borrar o esmalte, quando o telefone tocou com uma amiga do jornalismo esportando o babado mais hilário da semana. Entrei no carro, mandei a motorista seguir devagar e já fui digitando o texto aqui com a ponta dos dedos.
Luan Lennon, 23 anos, estudante de direito e dono de mais de 1 milhão de seguidores com a promessa de “combater a desordem” no Rio, foi preso em flagrante na noite de quinta para sexta no Centro da cidade. Segundo a Polícia Civil, o esquema era simples e deprimente: deixou um carro estacionado com o vidro aberto e um celular no banco, combinou com um flanelinha para oferecer R$ 30 a um pedestre em troca do furto, e ficou gravando tudo escondido dentro de outro carro do outro lado da rua. Depois saiu e tentou dar voz de prisão ao homem. O homem, que não estava no roteiro, disse que não fazia parte de nada. A PM foi chamada. E aí a encenação virou delegacia.
O perfil de Luan Lennon no Instagram era uma galeria de flagras heroicos: flanelinhas coagindo motoristas, infrações na rua, cidadão comum enfrentando o crime carioca com câmera na mão e peito estufado. Era amigo de Nikolas Ferreira e chegou a se candidatar a vereador pelo PL em 2024. Não se elegeu, mas continuava na corrida pelos cliques. Com a prisão, a Polícia Civil investiga se os outros vídeos da página também eram encenados. Tudo leva a crer que sim.
O X entrou em colapso festivo nesta sexta. Prints do perfil do influenciador ao lado da nota policial viralizaram em minutos. A GloboNews colocou o rosto dele numa tela de estúdio com o letreiro “Influenciador preso por forjar vídeo no Rio” e o clipe rodou o país inteiro. A defesa dos dois membros da equipe também presos não foi localizada pela imprensa até o fechamento desta coluna. Um quarto envolvido, o guardador de carros que fez o meio-campo no esquema, está foragido.
Luan Lennon passou anos construindo uma marca em cima de uma mentira e ganhou 1 milhão de seguidores com isso. No fim das contas, o crime que ele mais denunciou era o único que sabia mesmo produzir: o próprio.