Anota, Brasil, porque eu estava ali em espírito, mesmo que meu salto estivesse imaginariamente apoiado na estante de livros. A noite de autógrafos de Love Story: A Casa de Todas as Casas foi daquele tipo que não pede legenda bonita, pede memória. Livraria da Vila do JK Iguatemi cheia, gente se abraçando, rindo, lembrando, apontando rostos e soltando aquele clássico “quanto tempo” que já carrega história demais.

Eu vi aquilo e pensei. Isso aqui não é só lançamento de livro, isso aqui é a Love Story fazendo o que sempre fez, reunir tribos, afetos, histórias cruzadas e personagens que não cabem num crachá. Kátia Simões e Roberto Prioste autografando enquanto a plateia parecia um elenco reunido para especial de fim de ano, com direito a figurantes que viraram protagonistas da própria noite.

Tinha gente da noite paulistana, ícones da cultura, frequentadores históricos da casa e até quem ajudou a manter aquela porta aberta por anos. Sim, meu bem, até o porteiro virou personagem vivo desse enredo, porque Love Story sempre soube transformar presença em pertencimento. Eu amo esse tipo de narrativa que não precisa forçar emoção, ela simplesmente acontece.

O clima era de casa cheia, conversa atravessada por lembranças, gargalhada solta, olho marejado aqui e ali. O livro ganhou corpo ali, no contato direto com quem viveu, dançou, amou, sofreu, se perdeu e se achou naquele endereço que atravessou décadas sem pedir desculpa por existir.

E eu reparei numa coisa que pouca gente fala, mas eu adoro observar. Love Story virou palavra chave da memória afetiva da cidade. Não importa se você ia sempre, se foi uma vez, se só ouviu falar ou se viveu histórias que não contam nem sob juramento. O nome ativa lembrança automática, o algoritmo emocional entra em colapso e o assunto rende mais conversa que muito evento badalado.

Aquela noite confirmou o óbvio para quem já sabia. Love Story segue sendo território simbólico de encontro, liberdade, convivência e identidade. O livro só organizou em páginas aquilo que a cidade já carregava no corpo e na memória.
