Estou no vaporetto saindo de Veneza agora mesmo, mala de Bottega no bagageiro e celular explodindo com o press release de “Loquinha”, a novelinha vertical que estreia segunda nos perfis da TV Globo nas redes sociais. São 25 episódios curtinhos, todos lançados de uma vez, sobre Lorena e Juquinha tentando construir uma vida juntas enquanto o Brasil inteiro torce com o coração na boca.
O formato é completamente novo: vertical, no ritmo das redes, dramalhão de bolso com todos os ganchos do folhetim clássico comprimidos em episódios que cabem no metrô, na fila do banco, na escada rolante. A autora Marcia Prates disse que escrever assim foi desafiador porque o formato exige muitos ganchos e emoções concentradas. O diretor Luiz Henrique Rios garantiu que a trama vertical não mexe no enredo de Três Graças, mas que a novela principal influencia a novelinha. Quem assiste as duas ganha camadas extras, mas ninguém precisa de senha pra entender nada.

O que me deixou completamente sem ar foi descobrir que Lucélia está de volta, tramando horrores contra o casal com a ajuda de Macedo, fiel escudeiro de Ferette. Só eu que fica imaginando esse trio numa grupagem de WhatsApp chamada “Destruir a Loquinha 2.0”? E tem mais: Teca, ex-namorada de Juquinha, chega na história exatamente para revolver a ferida aberta e brigar por uma segunda chance. Impulsiva, imprevisível e, segundo quem dá vida à personagem, absolutamente incansável. Minha santa, Juquinha não pode nem respirar em paz.

O que me intriga mesmo é o bar que vira centro gravitacional da trama, onde Lorena descobre um concurso de poesia sáfica que abre sua trajetória profissional. Alguém na Globo teve uma tarde de inspiração fora da curva e decidiu colocar poesia lésbica no coração de um spin-off de prime time. Enquanto Lucélia maquina nas sombras, Lorena escreve verso num boteco e Juquinha enfrenta vilã e ex ao mesmo tempo. É muito sentimento para uma tela de celular aguentar.

Estou entrando no trem pra Nápoles nesse exato momento e “Loquinha” já virou minha leitura obrigatória de fim de semana. Se a Globo aprendeu a fazer drama compacto, coração partido e poesia sáfica em 25 episódios verticais, a televisão brasileira ganhou algo que não sabia que precisava. O casal Loquinha merece chegar inteiro ao final, mas com essa quantidade de vilã por metro quadrado, reza junto comigo.
