Eu,adoro uma virada dessas. Lola Melnyck cansou de ver o Google narrar a vida dela com lupa torta e resolveu ir direto ao ponto. Em 2025, voltou a Santiago para processar a jornalista responsável por uma reportagem antiga que a associou a boatos de ter sido “chica de companhia” na Argentina. O processo é por injúria e calúnia. Sem rodeio, sem teatrinho.
A decisão vem depois de anos engolindo rótulos em silêncio. Lola passou boa parte da carreira convivendo com fantasias alheias enquanto fazia televisão em países diferentes. Agora escolheu enfrentar o arquivo. A ideia é simples e ambiciosa ao mesmo tempo. Limpar o nome onde ele foi manchado e registrar isso no papel timbrado da Justiça chilena.
E não estamos falando de uma figura qualquer. Nascida em Odessa, então União Soviética, filha de diplomata, criada em família de tradição comunista, Lola cresceu mudando de país, ouvindo histórias de guerra e aprendendo idiomas antes de aprender a lidar com holofote. Virou poliglota cedo, trabalhou em TV na Argentina e no Chile, apresentou programas de animais, patinação no gelo e até corrida de caminhões. Tudo bem longe da caricatura que o Brasil comprou depois.
Por aqui, a imagem ficou congelada na “musa de auditório” e na jurada que cruzava o palco do SBT. Posou nua, bancou causa animal com o cachê, virou personagem pronta de conversa rasa. Enquanto isso, a mulher real seguia acumulando repertório, opinião e cicatriz.
Hoje, ela reaparece em podcasts e entrevistas falando de guerra Rússia x Ucrânia, do massacre em Odessa e da russofobia na mídia ocidental. Fala com a bagagem de quem viu a própria cidade natal virar símbolo de conflito. Não é discurso ensaiado, é memória.