Kátia começou a segunda-feira em Campos, diante de um café coado daqueles que fazem a pessoa perdoar até reunião marcada para as nove da manhã. Não deu tempo nem de terminar a primeira xícara. Um produtor amigo, desses que circulam por festival do interior paulista como quem circula pela própria sala, ligou ainda ofegante do fim de semana para contar o resultado que agitou Ribeirão Preto no sábado.
A banda Lizium, de Niterói, venceu o Concurso de Bandas do João Rock 2026. A decisão saiu no sábado (18), na Art House, em Ribeirão Preto, e garantiu ao grupo uma vaga no line-up da 23ª edição do festival, marcada para 1º de agosto, no Parque Permanente de Exposições. Para quem não acompanha, o concurso é uma das portas de entrada mais disputadas da música independente brasileira: a banda sai do circuito de bar direto para um dos maiores palcos de festival de um dia só do país.

Na mesma noite, a Seletiva da Batalha da Aldeia definiu Mano Batz como o MC que vai representar Ribeirão Preto na disputa dentro do festival. E o rapaz não vai encontrar moleza: pela frente estão Big Mike, Japa, campeão nacional da Batalha da Aldeia em 2025, e Levinsk, bicampeã da competição no João Rock. É estreia em casa contra currículo pesado, o tipo de chave que faz qualquer assessor de imprensa acender vela.
A leitura que Kátia faz, entre um gole e outro, é que o interior paulista abriu a porta e entrou logo uma banda fluminense. Niterói atravessou a Via Dutra para vencer no quintal alheio, e agora a Lizium tem menos de duas semanas para transformar euforia em setlist, porque o cenário não perdoa: ingressos esgotados, cerca de 65 mil pessoas esperadas e mais de 12 horas de programação distribuídas em quatro palcos. Ninguém sobe nesse palco para tocar tímido.
Kátia terminou o café decidida a acompanhar de perto. Afinal, quando Niterói vence em Ribeirão Preto, o mínimo que o estado do Rio de Janeiro pode fazer é fingir surpresa com elegância.