Estava na varanda do meu apartamento em Bari, olhando o Adriático com um caffè na mão, quando o celular explodiu com uma notícia que parecia roteiro de novela das nove. Gary Lineker, 65 anos, artilheiro da Copa de 1986, foi num podcast dizer em voz alta o que metade do mundo pensa em silêncio, e Cristiano Ronaldo respondeu do jeito mais moderno e mais infantil possível. Meu caffè esfriou.
Não me importei.
Lineker estava no “The Rest is Football” quando soltou a bomba sem cerimônia: disse que considera Messi, no geral, um jogador mais completo que Cristiano Ronaldo. Fato. Opinião. Direito constitucional de todo ser humano com mais de dois olhos de futebol. A diferença é que Lineker tem 65 anos, é comentarista da BBC e artilheiro histórico da Premier League por três clubes diferentes. Quando ele fala, o microfone amplifica.



CR7 processou a informação e tomou a decisão mais madura possível para um homem de 40 anos com cinco Bolas de Ouro: abriu o Instagram e clicou em “deixar de seguir”. Unfollow. Pronto. Lineker confirmou no próprio podcast, com a tranquilidade de quem já viu Maradona fazer gol de mão e perdeu a Copa por isso: “Ele deixou de me seguir no Instagram. Vou superar isso.”
Aqui mora o gênio da situação. Lineker não disse nada sobre a personalidade de CR7, não atacou a carreira, não levantou polêmica gratuita. Disse que acha Messi melhor, no futebol, como julgamento técnico. E o astro português respondeu com a arma de maior precisão cirúrgica da era digital: o unfollow silencioso. É a versão 2026 de sair batendo a porta, só que sem o barulho e com estatística de engajamento.
A moral que Kátia tira daqui, entre uma brisa adriática e outra, é a seguinte: quando você não consegue refutar um argumento, você remove o orador da sua timeline. É uma estratégia. Não necessariamente inteligente, mas é uma estratégia. Lineker vai dormir muito bem. E CR7 vai continuar com 900 milhões de seguidores, menos um inglês de 65 anos que marcou gol na Copa. O equilíbrio do universo segue intacto.