Well, well. Estou aqui na Vila Capivari, em Campos do Jordão, fazendo umas comprinhas antes de sair para andar pela vila com umas amigas, quando o celular vibra com uma informação que, confesso, não esperava receber no meio de uma vitrine de tricô. A Life Fitness, dessas marcas que fabricam os equipamentos que fazem seu personal trainer parecer mais inteligente do que é, está anunciando expansão pesada no Brasil.
São quatro lojas novas: Brasília, Belo Horizonte, Balneário Camboriú e Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, a novidade é a primeira unidade da marca em Minas Gerais, com investimento de cerca de R$ 1,5 milhão e um showroom no novo conceito global da empresa. Em Brasília, o negócio é ainda mais ambicioso: 1.300 m² de área total, sendo mais de 700 m² só para testar equipamento, no que o gerente comercial da marca para a América do Sul descreveu como um centro de relacionamento e negócios para a região. Balneário Camboriú entra no jogo por conta do mercado imobiliário de alto padrão que só cresce por lá, e o Rio ganha reforço numa praça que já é estratégica para a companhia.
O timing não é acaso. O setor fitness brasileiro hoje reúne mais de 62,7 mil academias ativas, quase o triplo de dez anos atrás, segundo o Panorama Setorial Fitness 2025. Ou seja, enquanto uma parte do país discute se vale a pena pagar mensalidade de academia, a outra está investindo pesado para vender a esteira. Prova de que dinheiro sempre encontra onde o brasileiro está disposto a suar.
E aqui vai minha leitura, com o devido cuidado de fonte confiável: expandir simultaneamente em quatro praças tão diferentes, luxo litorâneo, capital federal, capital mineira e a sempre disputada praça carioca, é aposta de quem está lendo o Brasil como mercado de crescimento estruturado, não como piada de fim de ano corporativo. É jogar caro para ganhar caro.
Termino a nota, guardo o celular e volto para minha vitrine, porque diferente da Life Fitness, minha única expansão hoje é de sacolas.