Eu adoro quando dirigente resolve falar sem embrulho. A minha musa Leila Pereira fez exatamente isso. Em plena final da Supercopa Feminina, vencida pelo Palmeiras nos pênaltis contra o Corinthians, ela usou o microfone para tratar de um assunto que todo mundo comenta no bastidor e quase ninguém banca em voz alta. Dinheiro, horário e televisão.
Leila deixou claro que valorização não nasce do nada. Passa por investimento, divulgação e, principalmente, grade decente. Nada de jogo às oito e meia, nove e meia da noite, horário em que o público já foi dormir ou está brigando com o controle remoto. A cobrança foi direta e teve endereço certo, a TV Globo.
E aí ela puxou o fio que ninguém gosta de puxar. Jogar no Allianz Parque custa caro. Para o masculino, o clube não paga. Para o feminino, paga. E paga bem. Só que a conta não fecha porque a receita de TV simplesmente não existe. O clube só recebe em caso de título, via CBF. Transmissão regular, que deveria sustentar o produto, não entra na planilha.
Leila foi didática sem ser doce. Disse que não se trata apenas de decidir a casa do time feminino. É uma equação que envolve financeiro, calendário e compromissos do estádio com shows. Enquanto isso não melhora, o discurso bonito de apoio vira frase de coletiva e nada mais.
O recado ficou claro. Sem televisão investindo de verdade, o futebol feminino segue limitado fora de campo, mesmo entregando dentro dele. E quando a presidente de um dos clubes mais organizados do país diz isso em voz alta, não é desabafo. É aviso.