Há contratações que parecem óbvias demais para serem brilhantes, e justamente por isso são brilhantes. Leandro Hassum à frente de Casa do Patrão entra nessa categoria. Não pela surpresa, que convenhamos não existe, mas pela precisão quase cínica da escolha. A Record, desta vez, parece ter olhado para a televisão como ela realmente funciona no Brasil, um lugar onde talento importa, carisma importa mais e familiaridade, essa moeda invisível e vulgarmente poderosa, vale quase ouro em barra.
Hassum tem uma qualidade cada vez mais rara no entretenimento brasileiro, ele é popular sem ser hostil. Parece simples, mas não é. Há muitos nomes conhecidos, poucos queridos e pouquíssimos aceitos dentro de casa com essa naturalidade quase doméstica. Leandro entra na família brasileira como aquele primo barulhento que chega falando alto, faz piada ruim, repete a sobremesa e, misteriosamente, acaba sendo o mais tolerado da mesa. Isso, em televisão, é um milagre com CNPJ.

E existe um detalhe delicioso nessa história, o mercado publicitário ama quem não assusta. Ama quem comunica, vende, faz rir, atravessa gerações e ainda não exige um manual de instruções para ser entendido. Hassum tem exatamente esse pacote. Ele é reconhecível, confiável, amplo e digerível, palavra feia, eu sei, mas indispensável para quem quer vender cota, patrocínio, integração de marca e a ilusão de que o Brasil inteiro ainda senta no sofá ao mesmo tempo. Numa indústria em que todo mundo fala em conexão, engajamento e outros palavrões corporativos, Leandro oferece uma coisa bem menos sofisticada e muito mais eficaz, adesão espontânea.
Boninho sabe disso porque pode ser muitas coisas, mas bobo nunca foi. Reality show não se sustenta só em prova, intriga e edição picotada com trilha de tensão. Ele precisa de uma figura que organize emocionalmente a experiência do público. Alguém que traduza o jogo sem parecer professoral, que comente o absurdo sem roubar a cena do absurdo, que humanize a maluquice sem higienizá-la. Hassum pode fazer isso com uma vantagem competitiva preciosa, ele não tem cara de juiz, tem cara de gente. E o público, em geral, prefere gente.
Também acho engraçado como uma parte da crítica costuma tratar escolhas populares com certo desprezo perfumado, como se a televisão ainda devesse pedir desculpas por falar com muita gente ao mesmo tempo. Mas, neste caso, a decisão da Record parece justamente ter entendido o tamanho do produto que quer lançar. Casa do Patrão nasce com Boninho, com TV aberta, com streaming e com o desejo claríssimo de ser assunto. Para isso, não bastava escalação culta, moderninha ou supostamente descolada. Precisava de alguém que o público olhasse e reconhecesse de imediato. Sem esforço. Sem estranhamento. Sem pose.
No fim, contratar Leandro Hassum para apresentar Casa do Patrão foi a melhor decisão porque ela junta três coisas que quase nunca aparecem alinhadas, televisão popular, mercado anunciante e afeto real do público. Ele faz rir, vende bem e circula com facilidade entre o espectador, o patrocinador e a lógica da emissora. Em tempos em que muita gente quer parecer evento, a Record escolheu alguém que sabe ser presença. E presença, na TV, continua valendo mais do que conceito bonito em apresentação de PowerPoint.