Gente, 95% de ocupação no primeiro voo. Noventa e cinco por cento. Isso quer dizer que o Brasil estava tão carente de Amsterdã que a LATAM mal abriu a janelinha de reservas e a fila já formou. Eu mesma senti um frio na barriga só de ler o comunicado aqui de Milão, porque, convenhamos, uma rota nova do Brasil direto para qualquer lugar da Europa em 2026 ainda é notícia grande.
O que poucos estão reparando nessa história é que a frequência original era de três voos por semana. A LATAM dobrou para seis antes mesmo de estrear, porque a demanda antecipada já havia extrapolado a capacidade prevista. Isso não é ajuste operacional, isso é admitir publicamente que subestimou o apetite do brasileiro por Europa. Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da LATAM Brasil, falou em “conectividade consistente e estratégica”, mas o que os números dizem é que a fila estava formada antes da porta abrir.

O voo parte de Guarulhos às 18h05 e pousa em Amsterdã às 11h do dia seguinte, o que, para quem entende de logística de viagem, é um horário civilizadíssimo: você dorme no avião e acorda na Holanda com o dia inteiro pela frente. O retorno sai de Amsterdã às 13h05 e chega em São Paulo às 20h15. A LATAM resolveu o roteiro, agora o viajante só precisa resolver o orçamento.

Vale registrar que a última vez que a LATAM abriu um destino inédito na Europa foi em 2018. Oito anos depois, Amsterdã entra no mapa da companhia junto com a expansão da LATAM Cargo no corredor Europa-Brasil, que cresceu 4% em volume no sentido Europa para cá e 17% no sentido contrário. Ou seja, o avião vai cheio de turista e volta cheio de carga. Esse é o modelo que faz conta fechar.
Marcelo Freixo, presidente da Embratur, usou o lançamento para lembrar que os holandeses estão entre os visitantes que mais crescem no Brasil, acima da média europeia. Com voo direto, essa conta só tende a subir. E eu, pessoalmente, fico aqui torcendo para que o próximo destino seja algo que me obrigue a fazer pesquisa de campo com passagem paga pela pauta.