Eu estava num café da manhã na casa de uma amiga, dessas que servem frutas cortadas como se estivéssemos todas hospedadas num spa de rica culpada, quando meu celular começou a tremer mais que final de paredão. Era grupo de jornalista, grupo de fofoqueira, grupo de fã surtado, todo mundo com a mesma pergunta, La Casa de Papel voltou? Eu larguei a torrada, botei o óculos na ponta do nariz e falei, calma, minhas ladras de canapé, a Netflix adora um truque.
A plataforma soltou um anúncio dizendo que o mundo de La Casa de Papel continua, mas fugiu lindamente da resposta que todo mundo queria ouvir. Até agora, nada de 6ª temporada confirmada, nada de Professor reunindo a quadrilha original para outro assalto, nada de comunicado com data, elenco e plano completo. O que existe é uma provocação muito bem calculada, daquelas que fazem fã desenterrar teoria como se estivesse procurando ouro no quintal.
E ouro, veja só, virou a pista mais safada dessa história. O vídeo relembra os assaltos, a máscara de Dalí, o Banco da Espanha e joga no ar essa sensação de que a revolução ainda está respirando com batom vermelho e peruca nova. Eu amo o Professor, aquele homem que planeja crime com a calma de quem organiza chá beneficente, amo Nairobi como quem ama uma santa de altar pop, e tenho por Tóquio uma irritação apaixonada, dessas que a gente só sente por personagem que bagunça tudo e ainda sai linda.
Só que a jogada mais concreta atende pelo nome de Berlim, esse canalha elegante que morreu e continuou rendendo mais que muito vivo da dramaturgia mundial. Berlim e a Dama com Arminho estreia em 15 de maio, com Pedro Alonso de volta e um golpe em Sevilha envolvendo uma obra de Leonardo da Vinci. A Netflix vende arte, crime, romance e aquele charme cafajeste que faz a gente julgar o personagem por dois segundos antes de pedir bis.
Nas redes, claro, o povo já transformou mistério em casamento marcado. Tem fã jurando que é temporada 6, tem vídeo fake rodando com cara de trailer oficial, tem teoria colocando Professor, Lisboa e até Nairobi no mesmo caldeirão emocional. A verdade, minha filha, é que a Netflix plantou a pista perfeita, deixou a internet fazer o serviço pesado e saiu da cena com a bolsa cheia de engajamento.
Meu veredito de café da manhã é simples, La Casa de Papel voltou para o centro da fofoca, mas a Netflix ainda não abriu o cofre da resposta. Por enquanto, temos Berlim chegando, uma franquia sendo reativada e um público faminto por qualquer migalha com cheiro de assalto. Se isso não for golpe de mestre, eu sou uma refém com Wi-Fi e rímel à prova d’água.