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Kátia Flávia
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Kesha transforma CarnaUOL em “igreja do glitter” em reencontro com fãs após 10 anos em São Paulo

Depois de onze anos longe, Kesha chega ao CarnaUOL, domina bastidores, abraça fãs no aeroporto, enfrenta chuva no Allianz e transforma a volta ao Brasil numa noite de catarse pop com cheiro de culto assumido.

Isis Dantas

25/01/2026 11h45

Depois de onze anos longe, Kesha chega ao CarnaUOL, domina bastidores, abraça fãs no aeroporto, enfrenta chuva no Allianz e transforma a volta ao Brasil numa noite de catarse pop com cheiro de culto assumido.

Amorecos , escrevo isso com glitter na sobrancelha e o coração batendo no ritmo de TiK ToK, porque fui batizada na tal igreja e aceito o dízimo em refrão berrado. A volta de Kesha ao Brasil aconteceu como novela que promete reencontro e entrega drama, lágrima e beijo na mão da protagonista.

Horas antes do show, o clima já estava de romaria pop. Kesha desembarca em São Paulo com camiseta provocativa, olhos desenhados nas mãos e pose de líder espiritual do glitter. Fãs no aeroporto recebem beijo, selfie, aceno e aquela sensação de proximidade que vira história pra contar por anos. Vídeos correm nas redes e inflam o sentimento de noite histórica. Bastidor quente, expectativa lá em cima, CarnaUOL preparado pra receber a sacerdotisa.

Créditos: Van Campos/AgNews

No Allianz Parque, o cenário ajuda o drama. Chuva fina, estádio cheio, inglês cantado com sotaque de adolescência. Kesha entra no horário de headliner e abre sem piedade. TiK ToK surge cedo, depois vem Blow, Crazy Kids, Timber e a sequência que transforma gramado em pista de festa atrasada por uma década. A iluminação colorida encontra a água caindo e o público responde com coro que parece ensaio geral de festival antigo, só que com maturidade emocional.

Arquibancadas e pista viram templo improvisado. Glitter no rosto, olhos nas mãos, cartazes com letras antigas, gente chorando sem pedir desculpa. Vídeos mostram fãs soluçando em TiK ToK e Only Love Can Save Us Now, legendas falam de adolescência condensada em uma hora. A brincadeira da igreja vira oficial. Missa de glitter, templo pop, absolvição coletiva por uma espera longa.

Kesha brinca com a ideia de estar num festival de Carnaval, dança como quem lidera trio elétrico indoor e se diverte com a mistura. O público entrega fantasia, purpurina, bandeiras e uma energia que junta bloco e festival. O CarnaUOL sai fortalecido como ponto de encontro dessa mistura e Kesha devolve ao fã brasileiro um show que mora na memória afetiva, agora com chuva, aplauso e riso solto.

Eu saio dessa noite convertida, molhada, rouca e satisfeita. A igreja do glitter abriu as portas, a sacerdotisa voltou e São Paulo respondeu com fé pop do jeito que só quem esperou onze anos entende.

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