Meu povo, eu precisei pausar a esteira para processar esse babado esportivo com cara de superprodução internacional. O Mundial de Skate em São Paulo virou um duelo de potências, com japoneses e brasileiros tomando conta da pista do Street masculino e deixando claro que a semifinal vem com clima de decisão antecipada, suor, pressão e aquele orgulho nacional que faz até quem nunca subiu num shape querer opinar.
Dos 16 skatistas classificados para a semifinal desta sexta, 11 são de Brasil e Japão. E aqui já começa o roteiro de série cara. De um lado, o Japão veio com a precisão quase cirúrgica que faz jurado abrir sorriso. Do outro, o Brasil veio com casca, nome forte, torcida empurrando e aquele tempero de quem gosta de competir em casa com o barulho no talo.
Quem brilhou mais nas quartas foi Toa Sasaki, líder do ranking mundial, que sobrou na pista e recebeu 68,90. Logo atrás apareceu Kelvin Hoefler, medalhista de prata nos Jogos de Tóquio, com 64,42. A terceira maior nota também ficou com um japonês, Kairi Netsuke, que marcou 63,54. Filipe Mota surgiu na sequência com 63,09, mantendo o Brasil bem vivo nessa briga que já está com cara de final de campeonato e tese de mestrado ao mesmo tempo.

E eu vou te falar, meu bem, o nível estava tão alto que dois nomes gigantes ficaram pelo caminho. Yuto Horigome, bicampeão olímpico e figura de realeza do skate mundial, caiu fora da semifinal. Giovanni Vianna, que havia feito a nota mais alta da fase eliminatória na véspera, também não avançou. Isso ajuda a dimensionar a paulada técnica que essa disputa virou no Parque Cândido Portinari. Não teve cadeira cativa, não teve currículo blindado, não teve aura de intocável. A pista cobrou caro.
Kelvin, que sabe muito bem o tamanho desse enredo, falou com sinceridade sobre o cenário. Admitiu que os japoneses estão à frente hoje, mais regrados e em nível acima, mas deixou claro que a torcida brasileira pode empurrar a disputa para outro patamar. E eu amo quando atleta fala sem filtro de assessoria pasteurizada, porque dá vida à história. Ele reconheceu a superioridade técnica do rival, mas jogou luz na atmosfera do evento, naquela energia de arquibancada cheia que muda o corpo, a confiança e até a coragem na hora da manobra.

O brasileiro também celebrou o retorno às competições no país. Disse que fazia tempo que não competia no Brasil, que se identificou com a pista de São Paulo e que as adaptações feitas no circuito ajudaram no rolê. Ou seja, além do duelo Brasil x Japão, ainda temos o componente casa, identificação com a pista e esse desejo quase patriótico de inverter a lógica no momento decisivo. É esporte, claro, mas com alma de novelão premium.
Na lista dos classificados, o Japão emplacou Toa Sasaki, Kairi Netsuke, Daiki Ikeda, Sora Shirai e Keyaki Ike. O Brasil colocou Kelvin Hoefler, Filipe Mota, João Lucas Alves, Ivan Monteiro, Gabryel Aguilar e Wallace Gabriel. Ainda avançaram nomes fortes como Jagger Eaton, Max Berguin, Angelo Caro, Richard Tury e Rome Collyer. Traduzindo para a língua universal da fofoca esportiva, a semifinal virou uma sala vip lotada de gente que sabe muito bem como incendiar a pista.
Eu tive que sentar para processar a imagem completa. O Japão chega como máquina afiada, elegante, quase fria. O Brasil entra com talento, casca e torcida querendo transformar a pista numa micareta de manobra bem aterrissada. E Kelvin, meu amor, resumiu o espírito da coisa sem dourar a pílula: os japoneses estão bem à frente, mas a briga está aberta. Agora é esperar a semifinal e ver se São Paulo entrega apoio suficiente para fazer o cronograma do favoritismo sair voando de skate pela curva.